terça-feira, 28 de outubro de 2008

ündescrição

para quem fita o infinito
sabe que somos sua construção
indescrição seria
vivermos o amanhã no presente
se não fosse nossa condição
a pressa, o limite e interesse
contém o fim do começo
o erro, a idéia, a variante
contabiliza o sopro da esperança
que distrai os capazes
e torna a todos felizes

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

imagine


se não carrego comigo
as três palavras mágicas
que te fariam ceder sob meus pés
se não sou a verdade que embala teus sonhos
nem sou o motivo para abraçar sem ver
teu próximo, como a teu irmão
se não sou metade da reza
que balbucias com intimidade
não sou também a outra metade que te nega

transformação

penosa e longa
a noite caminha
sem companhia
vindo ao encontro do escuro
acertando vidas
colorindo dias

a curva

saiba que te admiro
mais ainda
quando tua libido
me transcende em timidez
e atingem minhas órbitas
em infinidades de explosões
e quando estes circulares
me exploram
como fossem
teu espaço sideral

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

renascido


meu coração
é como faca de dois gumes
é como olho com argueiro
contém uma grama
da aflição dos antigos
contém duas gramas
da saudade dos novos

sábado, 11 de outubro de 2008

eclipse


somos jovens para obdecer sentimentos
somos apenas uma estocada na noite escura
somos uma noite de delícias
somos uma eclipse que descortina o passado
vislumbando um novo amanhã

satisfação


o que preciso
pra te acompanhar
se minha sombra 
não satisfaz tua luz
pedir não consigo
o feitio e o estilo 
se confundem 
interferem
tenho dúvidas
se meu cheiro te atrai
o que quero
é o que qualquer um queria
ter a tu como companhia

satisfação

andante


precisamos caminhar
mais amiúde que a primavera em jarro de janela
precisamos do teu ter, mesmo que o difícil
escureça nossa visão do futuro
precisamos falar de um instante
em que a carne da vida
se enleve em nós
e nos faça caminhar 
entre opostos


incondicional


adormecí à mesa
sobre livros
viví noutros mundos
trabalhando junto  a meu bem
era o justo atuando à muitos
tanto tempo entre o início
e tão pouco espaço entre nós
quando forte 
o que se quer 
pode ser uma única vez
e neste único a primeira
então o retorno foi maravilhoso
ter acordado para o sol
e em teu sorriso 
escutar, amor

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

permuta

me escuta
sou sem tempo
janela aberta
sou poente

as vezes
às rimas
as vezes 
outras sinas

sinal do próprio tempo
escrito perfeito
assopras em meu peito
e eu nele deito

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

atração


a força que degladia
usas com cuidado
ou ouses com clareza
como à quatro ventos
disfarçes nela 
o lamento que vivias

vieste a mim como um raio
vieste com a sede de um dia
e da água que havia
ví como bebeste à galhardia

colheste o fruto 
no mais fundo poço
e o distribuias 
ousando como ousas 

ainda assim
inconformada 
queres por que queres
mais, 
muito mais de mim

aos meus pés


meus pés plantados
cansados estão
da espera do querer
de ver a rosa mudar sua tez
singular beleza
estes pés em espera
estão perto de um não
do branco ao escarlate
sentir o aroma
e em pisar este chão
como a flor
estes meus pés 
abertos pro mundo estão
limpos e arredios
são como um desafio
ainda que neste momento
neste exato momento... não

terça-feira, 7 de outubro de 2008

paródia


todo dia ela faz
tudo sempre assim
diz que faço o que faço
e que tudo é sem fim
mas noutro mares navego
qual gaivota espremida
sem sossego ou apreço
quando mal destes mereço,
com ou sem calma... repito
não vou dar prá medir destinos
se esqueço o que sou
viro um tropeço
mesmo sabendo que este é o fim,
e, que este ainda é quase um começo

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

caleidoscópio

troca de palavras
frases nascidas mudas
como um roteiro descontrolado
uma asa é uma asa, 
uma linha estendida
e cá estou
um ruga aparente
uma tatuagem vencida
sou o fim,
algumas latas estão vazias,
outras não, estão cheias...
ao longe
a natureza ruge,
assim como o leão
ao fundo no mar, o sol move o crespúsculo
fixando um ponto
queimando sua sombra
e no lugar da lua
as horas avançam o destino,
noite à dentro

alfarabios

livre sua cara...
com o seu kit matinal
pois ainda descansa
sobre a cabeceira
este teu impróprio suspiro
e se for esta à fonte...
do teu saber,
do teu calor,
e se nele prá você 
tudo é carnaval
gaste a sua juventude
não à saber
que eu fiz teu ninho,
e, nele estou fora
e em tempo...
lembro, lembra, lembres
sempre que retornes ao teu natural
não sejas rude...
não sejais um cachorrinho 
destas intempéries em vão
resista pelo teu concreto
não andes atrás de teu abstrato
pois não há nada tão melodramático
se no final tu não és o livro,
troque de kit
livre sua cara
pois ele ainda descansa
sobre tua cabeceira
este teu impróprio suspiro