terça-feira, 31 de janeiro de 2012

sobre a crise, Lisboa, desafios
ou uma foto, por gosto, tristeza ou alegria
(Lisboa, segunda-feira, 9 de janeiro de 2012)

uma cultura viva
reticente pelo obturador
vi-me em névoas
pelo vento frio trazida
distinta como seu ouro pálido
esforçando-me neste aveiro
a ver em ti meu espelho, ou era tu que me via,
não morta
mas, como uma lousa fria
embora, tu a espia
como quem vê verdadeiro,
cobri-me de fatos em fotos
e neste caso duplo foco
em que estou, estivesse
na rua do ouro ou acima
bem onde o estado declina
o fraco sol a brilhar,
um pobre na foto reclina,
suportando o frio sem luzeiro,
e perto, bem perto
tão bem pintado em vermelho
um guarda-caixa dinheiro,
jaz-lhe no frio a desfecho
porto do trem a esquivar
e fui-me dali, dias e dias e horas
com falso medo e alegria
a me esquecer no ribeiro
bem perto à margem
no outeiro
como bem agora padeço
pois nesta foto vivi
e por agora nela mo reconheço

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

binária vida

de ti me dói
essa visão turva
que te acompanha,
te solicito um sorriso
que há muito já vejo não em ti
sorriso sempre matinal
carrega agora impropérios marciais
e neste ar de escárnio
que tão bem dispõem-te em vida
essa imagem de fundo de poço
que te gruda como cola
para mim não consegues disfarçar
mas teima bem em te acompanhar
é um fato,
embora não consigas
com ela minimamente conviver
nessa proeminente "consolação"
é muita soberba, sem conciliação
pereces,
mas já nesse fim
há sempre um passado a teu favor
e o todo que se arremata sobre nós
como paisagens híbridas
confunde a todos em momentos distintos
e tuas ações que de tão absurdas e próximas
insiste em deturpar defensor
ferrenho e audaz,
teu reino anda um caos
e se nas porventuras
tornares a pô-lo em ordem,
primeiro cuida de mim
que de ti cuidei tão bem

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

abril

o frio naquela manhã
não retirava de mim
aquela sensação de vazio
que se alocava em meu peito
e as lembranças das viagens
teimava em posar de ruins
em meus reflexos
a solidão na praça fria
e o tempo sem economizar
nas intemperanças
marchava a galope
como senhor do meu todo
e fazia questão de se revelar
não podia refluir seu intento
e perdia-me nos finalmente
pondo a me lembrar,
não tinha alternativa
tinha que retornar
tinha todo o atlântico
para recorrer

domingo, 22 de janeiro de 2012

sentimentos

então não percebo
tentas entortar meu caminhos
com a discreta ingnorância
de quem não quer ver o pior
eu indisposto
não me agrada
o que não pertence
logo não busco
na solução integrada
o resultado que me faz perder
e te ponho num escanteio
que não mereces
e machucada desta refrega
soluças em outros braços
em novas vidas,
em outras estações
trapézio

revejo todo espaço
tomado por nós
e na imensidão deste pensar
estamos dispostos com o tempo
desleixado com a nossa própria vantagem
o que podemos induzir
neste pretexto pretérito
se a maior parte deste complexo
não se dá o domínio
é indivisível o que se vê
e insolúvel no que se concebe

sábado, 21 de janeiro de 2012

solta em pulsar

quão intenso és
se me promete o mundo
a teus pés adormeço
de coração flamejante
ainda que a todo instante
eu te sinta tão longe
deixo com o tempo
o branco de minhas têmporas
e me reclino com a vida
a molhar tuas ações
é difícil e belo
ter a coragem de te esquecer

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

amanhã

como se fosse ontem
seu olhar um novo horizonte
um brilho e o fulgor
na presença aflita
em momento sensitivo
à divina
noite adentro
onde as palavras clareiam
e anseiam e incidem
noutros belos momentos
de novos caminhos
como se hoje fosse ontem

afã

quantos momentos
fará parte de mim
que em sua critica desconheço
na existência do momento
e no reflexo infeliz
que incendeia sua tez
amoreno os seus vocábulos
e me perco em seu sorriso
e na conjunção deste encontro
soltam-se no horizonte
esquecimentos contados
que no calor desta verdade
me faz regugitar prazeres

domingo, 15 de janeiro de 2012

palhaço

uma dessemelhança
um retorno infindável
uma esperança
uma cópia escura
sem leitura
e sobre nós um round
sem nocaute
uma macarena
sem autor
uma música erudita
sem tenor
uma lide sem propósito
sem afastar nem por
um avanço estático
sem o usufruir
do novo pelo novo
sem uma cambalhota
sem um sorriso
sem novas pinturas
espelhadas no rosto

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

coragem

Tentei buscar
inultimente em teu amor
estes confetes que norteiam nossa ação
mas te confesso
que na força desse procurar
usei pouco dessa tua imaginação
e a liberdade que eu tive para amar
morreu em ruas
que não tinhas costume de frequentar

domingo, 8 de janeiro de 2012

Átimo

escritas passadas, leituras avivadas
sorrisos latentes, chamadas vazias
e um esboço de vida tocada, vida que morre
num instante sobre reflexos turvos
me cabe a deriva, um poeta
sarcástica visão, emudecida
me aviva a razão
e me loto de estrelas e pulsares
em minhas entrelinhas estrelas caem

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

past tense

eu link
imperfeito como posso ser
agora o sou
amarelado pelo tempo
quase findo, quase amarrado
agora o sou
eu link impróprio em pleno pecado
agora o sou
corroído pelas sombras
transparente no que sinto
quase presente
agora o sou
transparente no que sinto
espelho o que reflito
imperfeito como posso ser
agora o sou
arrastado pelo tempo
um caco, um gosto alterado
eu link
imperfeito como o tempo
agora o sou

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

temporalidade

É sempre a contento
quando nos desnudamos no tempo
é quando o gerúndio tem seu concorrente
se neste infinitivo de afloramentos
o que nos suga não o reporemos
seguimos de esquina em esquina
tentando nos perder pelas madrugadas
onde as estrelas vagam em concordância única
procurando alhures com os seus luzeiros
nesse passado amoroso sem os seus rancores
cruzamos sentimentos como alguns pastores
e transformamos momentos em pequenas gotas
sem qualquer embaraço como à brancas nuvens
e no infinito sempre, mesmo sem o verbo
achamos temporãs irmãs a iluminar caminhos