domingo, 28 de dezembro de 2008

por um centavo

e a noite eterna nos fez desabrigados
com razão
o amor partiu nossos corações
marcados à luz
deitamos na obrigação
e a vida nova e fácil
nos deu o mundo
e o que nos cerca
fez sua parte
nos enchendo de beleza
sua, nossa, nossos de maior tradução
por um centavo
tornaria tudo outra vez

mires lisboeta

oh! lisboeta
cá estais, onde cá estou
tu não estás triste
nem eu cá estou,
triste é a noite
a conter o dia,
no estrado desta cama
onde, parado, durmo
tu ficas parada porque ?
a mirar-me sentinela !!!
bebo de beber e sonho
mais um pouco a viver
e tu já es um fado
vou contigo vivendo e cantando
mesmo sem tu cá estar de verdade

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

fantasia

entre crotes, cravos e bromélias
tento esquecê-la,
sou como um ator
que sem esquecer o texto,
procura ébrio manter-se sóbrio
para o seu público infiel

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

paparazzi

no tempo
de mandar
calar
e aceitar,
um sapato
vale mais
que dez mil
palavras,
ridículo,
da última
vez
em que
nos encontramos,
o que
jogava-mos,
eram balas,
talvez,
noutra ocasião,
um gesto
obceno,
doa-lhe
mais à profundo

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

a quem gosto ( texto de música do Ivan Lins)

linda estrada que eu corrí
foi seu corpo em pleno amor
e depois do amor
sequer você me quis
feito um carro que perdeu
rodas, bancos e motor
desse jeito é que eu me sinto
prá você
e ao seu lado sou
um carro abandonado
enferrujado na beira da estrada

à Ana a baiana

você é parte deste panorama
a despeito da ingnorância
você é passado é presente e futuro
ainda que nossas diferenças fique em um segundo plano
tenho satisfação em pensar-te
em pensar-te como um monumento
como um atestado do presente
como um farol a dar navegação
e te respeito muito, muitíssimo
e a meu modo te afirmo
adoro ver-te de manhã
ao acordar radiante,
e ir a janela
adoro ver-te ao meio dia
quando a vida pede mais
e a de noite
quando tranquilo ou não
vou dormir
você é muito linda
você é gente muito boa
e ponto final
você é muito linda

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

receita caseira

onde andarás meu amor
se te livro de obrigações
respeito-te
porém em procura
fico a lembrar
de outras que por ti passaram
e de mim esconderam-se
meu grande amor
com egoísmo
te escrevo,
não um rol, uma lista
mas, um desejo
que se lêrem este trecho
me esqueçam, como agora ja vos esqueço
são nomes que nunca os quís,
mas que também não inventei
Inês, Fátima, Emília
Sílvia, Tereza, Ana
das Dôres, e Fabianna
Luíza, Deise e Maíra
Láis, Luana, Irene
Leila, Lorena e Sônia
Socorro, Anita, Fernanda
Luciana, Elisabete, Sandra
Cláudia, Célia e Alexandra
Conceição, Flávia, Fábia e Roseana
Lorena, Marlene, Marilene
Angélica, Beatriz, Laura
Roberta, Sandra e Marcela
Elza, Elba e Suzana
Débora, Dora e Deise
e outras que de mim gostaram
e ficaram bem lá atrás
adeus

um gerúndio para madonna

devagarzinho vou pisando
e neste palco vou entrando
em pontinhas de pés
avisando,
save the planet
agorinha, onde agorinha é já
cada vez mais devagar
vagabundinha vou estar
mas, agora com um sentido
minhas mensagens passar
vou rezando, vou apontando
em pontinhas de pés
avisando
save the planet
devagar, quase parando
vou de lugar em lugar
onde sem sonhar, sequer poderia estar
mas, sorrateira vou avisando
sou guerreira
e bem ágil vou mostrando
se liguem em mim
saving this planet

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

o eu

ainda faço das minhas
tirando onda
jogando bola
dizendo versos
escrevendo prosas
e assim não desisto
sou feliz, sou brasileiro
onde vou, vou com orgulho
não tenho problemas...
nem com a cor,
nem com a religião
não tenho também dúvidas
levo no peito
sou brasileiro
com muito orgulho
com muito amor...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

prazeres noturnos


Dormi envolto em palavras

E, acordei com os dedos cheios de anéis

Deitado estava, deitado fiquei,

Na força de um sentimento

Na força que me assoberba o saber

Por fim levantei-me no espaço

E abri os olhos para a vida

Qual flor esperta

A desdenhar da manhã


u sinpres e di mais


deichei di ti gostá
derna qui tu çaiu pa i nu medicu
asin eo tevi xegandu
pu sima dipau e peda
inda qui seje dimais
vo fiqando nagu nia
ma nun ti falu
fiqa maes faxiu
pa tu i maes faxiu
pa mi
tu vai pasandu ben
i eo deichandu 
di ti gostá



quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

a pratos limpios


como natureza morta 
te vejo à sombra dessa imensidão 
mãos à narina 
as vezes sim, outras vezes não... 

e, foi fugindo do pequeno erro 
que tu não saibas, 
mas te ví um dia... 
à porta de igreja tão verde 
que outros partidos tomaram 
tão bem seu amor, que me pergunto 

e agora como estás!!! 

solitária e escondida 
pois saibas que teu amor, que aqui me trouxe 
nenhum reflexo a mim me deixou 
nem atrás me deixará...

Sede



Do tempo que tenho tempo 
Que hoje trago na mão 
Dele não sou mágico, tampouco sou um anão 
Vou-me arvorado em mistério 
Vou sem levar condição 
Soletro o tempo perdido 
E me vejo no presente 
Com o futuro de então 

Crioula


Crioula, morena 
Morena clara, crioula 
Morena escura, crioula 
Crioula, não me deixes farto 
Desses seios teus 

Crioula, morena 
Morena clara, crioula 
Morena escura, crioula 
Crioula não me tenha pena 
Me afogue as penas 
Nesses colos teus 

Crioula, morena 
Morena clara, crioula 
Morena escura, crioula 
Dona desse desatino 
Dessa pele doce 
Desse mel uterino

Amarras



Sob tua condenação 
Fico a pousar meu olhar 
Na imensidão da paisagem 
Que me cerca 
Com seus braços de pintor 
A repensar qual vazio 
E inconseqüente gesto, 
Nos separa, nos separará... 

Renovação



Tuas lágrimas 
Me deixam comovido 
Cada gotinha 
Perdida em ti 
Cada peróla 
Que escamoteia 
Do teu olhar 
Me faz real 
Me faz solidão de mar 
Me dá ânimo 
Na força do que vem
Do que virá... 

Sagrado e Profano



Sua pele ainda exala o cheiro que te colore 
E nesta tatuagem vívida 
Que a mim ressalta a tua timidez 
Me acolhe em paixão 
E sobro pela vida, sobro nesta imensidão
Mas é neste brilho intenso que te dá moldura ao teu olhar 
Que vejo mais no teu entrepernas 
Do que tu própria tentas com ele contar 
Vejo que nele apontas para o norte da vida 
E me é castigo este mistério tão belo e tão particular

Mania de Você


Diante da tua timidez 
E de meu amor inconstante
Adiante de ti 
Imerso neste universo 
Envolvo-me pragmático 
Ante tanta beleza, ante tanta lisura 
Recluso de idéias, palavras e letras 
Repito, 
Acabas por vencer-me 
E eu sem chances reconheço... 
És o começo !
És carnaval ! 

aritimia


tudo em paz
ainda que nas horas não vejamos o seis
na aldeia atrás dos montes
o artista sabe 
o que carrega como ponte
apôs...  será aquela negra fonte !
talvez alguém lhe queira
ter-lhe um doce
uma nota, um instante
uma mensagem talvez,
consoante
um, dois, sabe-se lá
tudo em paz
no balançar das horas
no vislumbrar dos horizontes

Para Carola (modificado)



Meus azuis 
Meus amigos, umbigos e anzóis 
Estado de espírito 
Sombra de minha sombra 
Mundo de orgulho, divisão 
Ciúme de idade 
Cast(a)idade 
Nunca deixes minha vida bendita 
Nem que seja cedo 
Nem que seja tarde

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

vitoriosa


quantos dos teus 
terei que ver sair vitorioso
para poder botar meu carro a frente
nessa rodada de alegoria
quem tem o que não sabia
não tem nada
que o peixe na mão
tem tudo

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

a moça


pela clara sua tez
negro liso sobre a cabeça 
cobre-lhe a face,
a moça espera o freguêz
que sob escolta
desce a ladeira
triste neve em seus olhos
não é nada, se não lágrima
a riqueza é limite de ostentação
chora a moça
pelo rico rapaz

carnívoro


rosas rubras
tanto calor a procederme
aspereza de mãos
sentimentos findos
gentis gestos
desse que o retrato
não esquece
tenho dito
ainda assim
nestas horas te vejo
a ruminar estrelas
a deitar-se em pastos verdes
a escolher-me como amante

desabafo em vinte e uma palavras


quando o mais é menos
um gole, um pedaço, uma réstia
satisfaz
quando o mais é menos
um amigo, um peixe, uma flauta
atraí
quando o mais é menos
um calafrio, um gemido, uma perda
é malogro
quando o mais é menos
a aventura, o arbítrio, um desenlace
é fato
então não te queixes
a tempos que nossa ventura 
tem sido fonte do nosso destino
sede generosa ao esquecer-me 
e não 
pelo que não te escrevo
sede generosa ao esquecer-me
e não 
pelo que não te falo
sede generosa ao esquecer-me
e não
pelo nada, em troca do nada
sede generosa ao esquecer-me
e não 
pelo vazio, em troca do vazio
pois sei, sabemos, sabes
que o nada é recordação e coragem
que o vazio é satisfação e castigo
então aceites de mim, o que te escrevo
e como te escrevo, 
e até quando esqueço de te escrever
porém, saibas que te escrevo
por amizade e por desafio à nossa amizade
e que este desafio 
caminhe pelo tempo 
no afã de buscar o progresso
e que no fim de tudo
permaneça em nós 
e seja eterno em sua duração 
como o fio que nos conduz a aproximação
como uma vida que nos conduz a amizade
como uma luz que nos conduza 
ao fim do começo que se inicia

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

diferenças

a teus beijos sobreviví
a teus beiços sobreviví
incondicional
incondicionalmente
como um robot,
um autônomo,
um egoísta
sem qualquer atração verbal, à força
à força
caminhei, conduzí, cavalguei
e dela
ah! dela me escondí, fugí
e ví-me ponta-cabeça
noutros espelhos, labirintos
a caminhos, reflexos
onde o amor pudesse eu
neles construir
neles reconstruir
ou mesmo encontrar
ou mesmo reencontrar
outros beijos,
outras línguas,
outras caras,
e, enfim teu amor em mim
tivesse um fim
e, enfim teu amor em mim
pudesse findar, acabar, ruir

sucumbí

tempos de glória

de olho no vazio
dias de glória
pensando à juventude
dias de glória
escuto lá longe
dias de glória
brigitte, brigitte, brigitte
dias de glória
me solto de meus redemoinhos
dias de glória
e estupefado vejo
dias de glória
uma figura pequenina
que alegre desce a rua
a atender o chamado
tempos de glória

número um

tempo frio
cheiro de canela grassa o ar
a porta entreaberta
deixa-nos a visão que dá
vazios sob lençóis
pedras quentes sob a cama
esse cheiro insistente de canela
a nos dar ânimo
e nestes lençóis revoltos
a cama interage com teus gemidos
sou todo ação

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

entre o fim e o começo

um dia nada é
para quem com pressa
vive
quanta experiência carregas
aos pés do ombro amigo
depositar
saudades e castigos
outrora a vida
em rosas se as abriam
neste universo que carrego
e sobre ele vivo
pelo momento
às honras
que sei
mereço

para isis em diferenças

não,
não é sempre que te encontro
mas,
mas é sempre que eu te permaneço
vidas inóquas
sentimentos vazios
leituras ambíguas
desconte

domingo, 9 de novembro de 2008

para Maria


como te calas
nesta súplica visionária
não sabes,
nossos cíclicos infinitos
são belos
sem tocar-nos
a vida é uma obra
e nela 
estejamos felizes
ou feridos
somos o que havemos ser
ou o que 
haveremos de juntos conviver
somos o amor

a fase


solitária vida
abranda os meus 
solitários momentos
pois vejo o amor
nestes braços teus
e sigo no escuro
quando ainda é dia
não vejo terror
não vejo ilusão
só o frio
que insiste
em separar-nos
onde já é oclusão

gosto duvidoso (modificado)


seu infinito eu sou 
presente em seu tempo, eu sei 
sou seu supremo perfeito, 
aposto ao subjuntivo 
sei que sou 
sou sua ardência 
na nota dó 
sou tua eclipse 
a perfeição tão reclamada 
tua contradição eu sou 
réstia do imperfeito 
presente, passado e futuro 
eu sou 
sem tu saberes 
sou teu amor...
 


(cópia modificada)

du(plicidade) cum,(plicidade)

duas meninas numa gota d´água
emoções à flora
rosto que chora 
saber dividido 
ousadias inversas 
modalidades distintas 
ciclistas, boleiras, naturalistas
qual senso...

(modificado)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

um minuto de silêncio

no absurdo
do silêncio
o mundo
ilha
soube
da força
e vê
agora
o tempo
afastar
com força
a capacidade
de chorar

À minuta, excepcional lide...

Não sou filho da guerra, e, dela nunca estive próximo, mas, me comove no observar, a grandiosidade da revolução dos povos. Essa que o dia-a-dia nos oferece. Falo de individualidade e me reporto a países, cujo conteúdo progressista, assiste a preconceitos omissos ou abertos de toda espécie ao longo dos séculos. Especialmente, analiso e acabo por fim descobrir que a maior e mais poderosa arma do povo é e sempre foi revolução. Grandiosa, a revolução pacífica é a mais sublime das emoções guerreira que se conhece. É nela que o mundo percebe sua mais fantástica emersão de sabedoria e civilidade que a vida nos trás e projeta. É claro nada exime a culpa dos séculos, da opressão e da indefinição humana, que estamos a observar a resistência acabar por derrotar. Mas, é importante saber que o maior e mais importante desafio esta vencido e que num ressuscitar, o povo sujeito e subjugado a temeridade dos tempos está afeito a uma nova abertura. E que nesta vida, o domínio moral, está livre, como também está livre está sua imagem que nos orienta e inclusive estar-se-á livre da sensação derrotista que o mundo todo tinha ânsia de acabar. É, pois, como fosse, a origem ressuscitada. Um retorno à originalidade da vida, ou menos que isso ao equivalente social que margeia a resistência e/ou o acomodamento acintoso que tudo isto vem originando, e, que com golpes de sabedoria e querer na perspectiva da universalidade fraternal foi-se alargando os horizontes sociais que o mundo fantasiava acolher desde já há muitos tempos atrás, e que hoje claramente socializa com a perspectiva. Esperamos à tempos. Esqueçamos a demanda imprópria da guerra e vamos a esperança crível desta nova visão mundial, pois ansiamos beber nesta fonte e que ela torne-se real, pelo equivalente número de anos, que ela nos foi por tabela cerceada.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

tornardos (modificado)


não mais, 
não mais que um sentimento 
que a esperança transforma 
em tornardos
não mais que o céu e o mar, 
uma bonança que a esperança 
sabendo-se incerta 
nos alcança 
com o sublime 
do amar

vogue


tua beleza me chama atenção
como uma tiara
um véu, uma disposição
enteaberta as pernas
pouso em teu colo
o calor de meu amor
sigo uma reta toda a linha
toda a pureza a desbravar
ainda que de sobressalto
no ato, 
te chame,
te clame,
outro nome
possa eu te revelar

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

amor

mais tímido
que o sal
mais encorpado
que o açúcar
e tão florescente
quanto ambos
tu és,
como o sal
tu és a fonte
que fortalece a vida,
tu és
como açucar
tu és o nectar
repousado em profundos sentimentos
tu és,
tu és
o menos onde se é menos,
tu és
o nada onde se é nada

a ferros

e a vida
transborda
como o calor,
um copo de leite
encorpado, forte, cheiroso
abrir os sentidos
inspirar
e sentir-se tomado
pelo calor, pela paixão
e retornar ao ato

retratos

sim amor
quantas vezes engatinhamos por tão pouco
chamando de amor
sabendo que já havia vida entre nós
e dela nossa escolha foi a melhor
sem alteração no rumo
nosso amor só floreceu
e por menos
que dispostos estejamos
fortalecemos nossos sentimentos
e isso para nós é amor
nossa primeira criação

(in)continenti

segui à risca
a nossa emoção
não ganhei, não perdí
nem recebí um não
só fortalecí sentimentos
sem nunca esquecer
nossos melhores momentos

mínimo

nesse poema que te contorna
trevo de quatro folhas
essa procura que endossas
só tua ventura te colore
a vida te colore
não uma vez, mas duas
ou mais de três
onde se esconde tal infinito
são nossos limites, nossas ações
só um verde tu possuís
e não é dele tua flor é do algodão

brinkos

o que te cobre a pendurar
vergonha, amor, desconforto
quero tantas vezes te cobrar
até que se torne
um vício,
um malgosto,
um capricho

gaivotas


são duas da tarde
e na praia rodeadas de beleza e calor
gaivotas perambulam em suas matizes
refastelam seus bicos na dualidade do mar
são duas da tarde
e no olhar a pergunta
quantas a essa hora 
já fizeram seus vôos

terça-feira, 28 de outubro de 2008

ündescrição

para quem fita o infinito
sabe que somos sua construção
indescrição seria
vivermos o amanhã no presente
se não fosse nossa condição
a pressa, o limite e interesse
contém o fim do começo
o erro, a idéia, a variante
contabiliza o sopro da esperança
que distrai os capazes
e torna a todos felizes

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

imagine


se não carrego comigo
as três palavras mágicas
que te fariam ceder sob meus pés
se não sou a verdade que embala teus sonhos
nem sou o motivo para abraçar sem ver
teu próximo, como a teu irmão
se não sou metade da reza
que balbucias com intimidade
não sou também a outra metade que te nega

transformação

penosa e longa
a noite caminha
sem companhia
vindo ao encontro do escuro
acertando vidas
colorindo dias

a curva

saiba que te admiro
mais ainda
quando tua libido
me transcende em timidez
e atingem minhas órbitas
em infinidades de explosões
e quando estes circulares
me exploram
como fossem
teu espaço sideral

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

renascido


meu coração
é como faca de dois gumes
é como olho com argueiro
contém uma grama
da aflição dos antigos
contém duas gramas
da saudade dos novos

sábado, 11 de outubro de 2008

eclipse


somos jovens para obdecer sentimentos
somos apenas uma estocada na noite escura
somos uma noite de delícias
somos uma eclipse que descortina o passado
vislumbando um novo amanhã

satisfação


o que preciso
pra te acompanhar
se minha sombra 
não satisfaz tua luz
pedir não consigo
o feitio e o estilo 
se confundem 
interferem
tenho dúvidas
se meu cheiro te atrai
o que quero
é o que qualquer um queria
ter a tu como companhia

satisfação

andante


precisamos caminhar
mais amiúde que a primavera em jarro de janela
precisamos do teu ter, mesmo que o difícil
escureça nossa visão do futuro
precisamos falar de um instante
em que a carne da vida
se enleve em nós
e nos faça caminhar 
entre opostos


incondicional


adormecí à mesa
sobre livros
viví noutros mundos
trabalhando junto  a meu bem
era o justo atuando à muitos
tanto tempo entre o início
e tão pouco espaço entre nós
quando forte 
o que se quer 
pode ser uma única vez
e neste único a primeira
então o retorno foi maravilhoso
ter acordado para o sol
e em teu sorriso 
escutar, amor

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

permuta

me escuta
sou sem tempo
janela aberta
sou poente

as vezes
às rimas
as vezes 
outras sinas

sinal do próprio tempo
escrito perfeito
assopras em meu peito
e eu nele deito

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

atração


a força que degladia
usas com cuidado
ou ouses com clareza
como à quatro ventos
disfarçes nela 
o lamento que vivias

vieste a mim como um raio
vieste com a sede de um dia
e da água que havia
ví como bebeste à galhardia

colheste o fruto 
no mais fundo poço
e o distribuias 
ousando como ousas 

ainda assim
inconformada 
queres por que queres
mais, 
muito mais de mim

aos meus pés


meus pés plantados
cansados estão
da espera do querer
de ver a rosa mudar sua tez
singular beleza
estes pés em espera
estão perto de um não
do branco ao escarlate
sentir o aroma
e em pisar este chão
como a flor
estes meus pés 
abertos pro mundo estão
limpos e arredios
são como um desafio
ainda que neste momento
neste exato momento... não

terça-feira, 7 de outubro de 2008

paródia


todo dia ela faz
tudo sempre assim
diz que faço o que faço
e que tudo é sem fim
mas noutro mares navego
qual gaivota espremida
sem sossego ou apreço
quando mal destes mereço,
com ou sem calma... repito
não vou dar prá medir destinos
se esqueço o que sou
viro um tropeço
mesmo sabendo que este é o fim,
e, que este ainda é quase um começo

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

caleidoscópio

troca de palavras
frases nascidas mudas
como um roteiro descontrolado
uma asa é uma asa, 
uma linha estendida
e cá estou
um ruga aparente
uma tatuagem vencida
sou o fim,
algumas latas estão vazias,
outras não, estão cheias...
ao longe
a natureza ruge,
assim como o leão
ao fundo no mar, o sol move o crespúsculo
fixando um ponto
queimando sua sombra
e no lugar da lua
as horas avançam o destino,
noite à dentro

alfarabios

livre sua cara...
com o seu kit matinal
pois ainda descansa
sobre a cabeceira
este teu impróprio suspiro
e se for esta à fonte...
do teu saber,
do teu calor,
e se nele prá você 
tudo é carnaval
gaste a sua juventude
não à saber
que eu fiz teu ninho,
e, nele estou fora
e em tempo...
lembro, lembra, lembres
sempre que retornes ao teu natural
não sejas rude...
não sejais um cachorrinho 
destas intempéries em vão
resista pelo teu concreto
não andes atrás de teu abstrato
pois não há nada tão melodramático
se no final tu não és o livro,
troque de kit
livre sua cara
pois ele ainda descansa
sobre tua cabeceira
este teu impróprio suspiro



terça-feira, 30 de setembro de 2008

dúvida

via de sentimento
este é o caminho
sangue latente
horas em transe 
segue a zoada seca
revolto como um tornado
não ignoro 
nem regurgito sentimento
tenho a fé 
e recebo sua dádiva
flocos de ilusão
acasalam-se com dúvidas
e sonhos aproximam-se de coersão
onde tenho porta,
tempo para abrir
sorrateiro não sou quem descobre meu ego
reflito amores e aconchego
finalizando meus ideais

terça-feira, 23 de setembro de 2008

As ninfas


 Ligeirinhas pela manhã

descia pelas calçadas

as moças,

algumas meias arriadas

decotes abertos, blusas suadas

vinham a caminho de Deus sabe o quê

com a gratidão da juventude

lá vinham elas,

todos os dias à mesma hora

graciosas e unânimes

em sua alegria

e era,

o que...

bastava àquela rua

tamanha a dimensão das suas algazarras

tamanha a dimensão da sua felicidade

e íamos todos ficando com seus sons

seus sorrisos

confiantes do futuro

do amor destas constantes

que iam e vinham sempre a sonhar acordadas

o que vivenciávamos de futuro

para elas

e para nós todos os anos

todos os dias era o querer

era o gostar, era o sol e a sua alegria iluminada

era o que regatiava-mos ao Senhor

versos abstratos

 

um garfo, uma faca

um cordeiro

e um copo d´água

 

um garfo, uma faca

um ponteiro

e um jiló

 

um garfo, uma faca

uma mira

e a pontaria

um certeiro

e um não queria

maciça

e ela estrela radiante

musa saltitante

tanto suor e um olho mágico

de cores e alegrias

tornais mais-que-perfeito

fazia girar o mais sutil brasileiro

resplandecente em pura intimidade

ao orfeu

e o orfeu

bateu-me à testa

bateu-me à testa

o orfeu,

três vezes

no solo

e era dia

e o sagrado

era íntimo

e o íntimo

sacrificado

e o orfeu

exultou em alegria

enfim alegria

infinda alegria

subiu desceu mundos

e deixou-nos sós

leveza


e no toque da água

o banho revelou seu ouro

naquela sombra

anjo decorando

já lhe refletia a luz

o sol, a sombra e o cristal



terça-feira, 16 de setembro de 2008

Luz de Espelho

Pelo rosário
Leio calado 
Páginas mudas 
Vazios sentidos 
Ouço abobrinhas 
Escrevo algumas linhas 
Renitente 
Pelo mar da paixão   
Sem louca escapada 
Venho e atiro 
Direto no nada 
Alvos que gostam 
Luz sem rodeio 
Imersão de saberes 
Devaneios, 
Afazeres 
Espaço miúdo   
Coisas de passado 
Sentimento antecedente 
Respeito mútuo 
Gana e poder


sexta-feira, 12 de setembro de 2008

queria ser o 007

queria ser o 007
num destes artistas de cinema
seria o mocinho
pra viver nababescamente
não me transformaria nada
como o sou já seria
destimido um terror
quais aventuras vivia
com o nascer de muitos dias
bem dotado de mocinhas
teria no céu o limite
pois delas sou muito exigente
e qualquer uma do ocidente
até mesmo do oriente
teria nos braços a danada
muito ágil e ligeiro
um gato, um leopardo, um tigre altaneiro
a trabalhar por aí
nesse mundo de deus deu
não há quem não goste de estar
numa poltrona de cinema
e avistar sua figura e se deixar sonhar


não deixe de visitar o sexxtosentiido.blogspot.com

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

sombra

se me nego
tantos afazers
me incluir no noturno
saber inferir
e obter a clareza
rogo por saber
tento por viver

CLAMOR

...caluda, psiu!
eis-me que aqui
sonho mais um dia
inebriado, 
pelo amargor de tua boca
deitado neste chão
gemendo como um porco,
sonífero ou veneno
com tantos fatos a mais,
com tantas noites a menos...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Sempre é mais um dia


Sempre serví a teu verbo ser
nem escravo, nem patrão
conjugações passadas
me reconheço no haver

são destes laços verbetes
que sem ousar te aquietes
neste que ja te fez a ação

mas quanto sabes eu sei
se deste que passará, bem passei
não no infinito
se no colo deste me calei

e agora sorrís como a luz
que ilumina de então
não desta ou daquela brochura
mas esta que está com a razão

se calo te ouço dizer
monsões para este teu vir
na cola do que já passei
descanso como se fosse
o escuro um vazio para sempre

Inútil Visita

Tua inútil visita
me faz carregar
um pé torto, um quadril defeituoso
no saco, só um escroto
que de mim quer o divórcio

me refaço no dia a dia 
pensando nestes inflamáveis
que nem são bens duráveis
e que comigo vai um dia

o que será que passa, passará...

e quando findar tua visita de vez
saberás do duro que passei
por explorar tua castidade
esta que por ti, já a mim, vinculei

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Açucar

Louco anda o coto
a saber que lhe jazia
o calor das manhãs
a sede de folia

mas, nada era do nada
e tudo lhes corrompia

sua coragem à compasso
corrompia mais que a visão
num esforço e o passado
esquecido caído no chão
em malha fina

não cai mais por um dia
é pau, é pedra é o pó
que consigo carrega
e que ainda agora jaz, jazia

Em Branco

anjo da manhã
não te escodnas sob minha sombra
ergue-te e supera este dia
como uma oração de amor

vai-te sobre todas as coisas
e reveja-as com a tua sabedoria
e dá-la-as todo o poder de renovação
para que as alegrias minhas sejam a altivez das tristezas
e o esquecimento não seja a tristeza das lembranças


Cartagemea

CARTAGEMEA

Uma parte do teu ser 
nele estou
carente sob carícias
indícios de amor

havemos de ter-nos
mesmo que o sentimento seja o minimo
por e para ter-te

se menos ainda por haver
seremos pelo sim, pelo saber
neste que haveremos de viver

como o dia
neste, fim de uma noite
uma breve e irreverente noite

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

à vivre


o sol que janela entra
desnuda meus grandes olhos negros em poente
me faz reconhecer pelas manhãs
me trás reconhecido pelas manhãs
adiando novos sonhos de coberta
adiando grandes sonhos de coberta

é o infinito invadindo sua parte
é este infinito que invade sua parte
com movimentos de inexatos dias
tomando línguas, conjugando idéias
na natureza dos afazeres que se ampliam
na natureza os afazeres se ampliam

e a janela se fecha mais outra vez
e de outra forma a janela esta cerrada
inferindo o verbo na proporção do vir-querer
inferindo os verbos na proporção da mais perfeita harmonia
e noutros caminhos, noutros horizontes
onde à realeza acontece seu noite-dia
fico à realeza do seu noite-dia