quarta-feira, 28 de outubro de 2009

irresistível

a cada coração que se parte
haverá sempre a velha desculpa
sou forte e resistente
maior que meu ego serei,
e tal sofrimento vacila
quando a verdade torna-se clara
e o mundo percebe a gratidão
que da-se com o perdão

este display fala da vida
nos convidando a olhar
pelo espelho da verdade
o que ousamos destruir
com mentiras

à brasiliana

Insensível,
como a gota
que revela
teu perfil,
indomável,
como o crepúsculo
que não se orienta
sem o teu esplendor,
rebelde,
como a esperança
que teima em querer-te
mais que eu
é assim...
e, vamos vivendo
de amor,
a fórmula mais certa
da existência humana

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

em três dos quatro tempos

o tempo
onde se esconde este amigo
e qual então seu poder hoje,
que seja o resto do brilho de ontem
escondendo-se no seu melhor
qual dia lhe dirá na dor
o que resta,
ou o que restou do seu amor
pelo passado que hoje o é não defende,
presume-se,
que a vida lhe esteja sempre
no presente

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

para quem desliza
entre lençois alheios
um abraço um floreio
serve como consolo
ao devaneio
o texto abaixo foi retirado deste display

entre o trágico e o absoluto

O Grande e o pequeno

Todo caso de amor tem um grande e um pequeno. Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor il y a toujours qui aime et qui se laisse aimer. É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno ouve. O grande discorda, o pequeno concorda. O pequeno teme, o grande ameaça. O grande atrasa, o pequeno se antecipa. O grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.

Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grandes, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento e as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é o mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso.

Como ninguém descobriu, até hoje, uma regra que permita determinar qual é o grande e qual é o pequeno, só observando o casal mais atentamente.

Na rua, o que anda distraído quase sempre é o grande. Quase sempre, no cinema, o grande só decide comprar pipoca depois que os dois já estão acomodados nas poltronas. O pequeno, então, fica esperando, vigiando, tomando conta para o filme não começar antes de o grande voltar, o que, por algum motivo, seria uma tragédia.

Numa festa, o pequeno deve estar ansioso para que a noite seja boa, principalmente se foi ele que sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira indiferente até se embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito mais animado do que o pequeno. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançará melhor. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele, por isso sempre tem arquivados na cabeça assuntos que possam ser úteis em todas as ocasiões. A calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande está sempre melhor que o do pequeno, ainda que a festa inteira pense exatamente o contrário. O pequeno geralmente se comove com a lua calado, enquanto o grande aponta, olha só a lua. No final da festa é sempre o pequeno que quer ir embora, reservando o melhor da sua alegria para o resto da noite, enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente.

Mais tarde, o pequeno é macho, é gueixa, é desgraçado, é exclusivo e, se o coração do grande por acaso ouvir seus gritos, que sorte. No dia seguinte, o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que fiz tudo certo? Acho que eu não devia ter dito aquilo. Por que toda vez sou eu que beijo primeiro? Na dúvida, vai correndo procurar o grande, apesar de ter prometido que nunca mais faria isso.

O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos, que são todos grandes.

Não necessariamente formam um casal. Não é só nas histórias de amor que existem grandes e pequenos. Havendo mais de um, um par qualquer, dois adversários, dois irmãos, dois amigos, sempre haverá o que quer mais e o que quer menos, o fascinante e o fascinado, o generoso e o pedinte.

Mas como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, a qualquer momento, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ficar pequeno, e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um acaso, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma imprudência.

Quando isso acontece, é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna automaticamente o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo que é promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se seu sofrimento tiver boa memória. Aí, coitado do novo pequeno, vai se arrepender de cada não beijo, cada não telefonema, cada não noite de insônia, cada não desespero, cada não entusiasmo, cada não carinho inesperado, indispensável, inevitável, imprescindível, cada não todas as palavras apaixonadas em qualquer língua do mundo. Ele vai se surpreender com a reviravolta, no começo, mas vai se conformar com sua nova condição de pequeno em seguida. E então vai seguir, cuidadoso e desastrado, na quase inútil intenção de conquistar o grande urgentemente.

Escrito por Adriana Falcão.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

porque não

é foda ver a aurora
das tribos de nossa hora
camisas de toda cor,
chuteiras de muitas famas
sabidas na vida dos dribles
a pendurar suas marcas
em muitos outros países
é foda
ver os donos e donas
da nossa emoção
é Maria é joão
placas e prêmios à mão
é foda ver de fora
e aqui dentro não
talvez seja só por demérito
ou talvez por casuísmo
um fato dessa grandeza
nunca aqui ter acontecido
agora que temos a copa
e na circunstância
um vida olimpica
dedilhamos noutros rumos
e seja de fato na nobreza
acabar de vez a tristeza
por nunca um grande prêmio
sequer tê-lo aqui merecido
não vamos esquecer por descaso
o que de fato lhe é dito

então seja verde
o que a chuva nos trás
ver o que ver
e não ficar
muito atrás
como a esperança
que não podemos
esconder
e nem descobrir
demais
este display é prá saúde

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

tem display novo

embora o saber
assoberbe o ser
resta a quem reste
o que queira dizer, leia-se

ponto e vírgula

vencido os afazeres
clono o caminho percorrido
e esvazio meu saber sobre a mesa
que lívida e transparente
me absorve
e me ligo na noite caida
como se o amanhã
fosse o estudo dos mestres
como se o amanhã
já fosse hoje
e o é,
embora para poucos
a caravana passa

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

display

em riste a batuta
escaneia o ar
como um som
indelével
que orienta
a orquestra
e dela maravilhas ouvis

doce intenção

sorria...
em tua imensa paixão
desdenho a vida
e o que dela quis enchergar
sem tempo
meus olhos já não vêem
com a mesma intenção
e os sentimentos
outrora duradouros
escorrem de mim
pelas minhas mão em concha
nesta inocência o crespúsculo
atenua o dia-a-dia
e novas descobertas
brotam com a intimidade
que se dá aos vencidos
e tornam sob qualquer forma
a vida renascer
em uma grande, nova e bela jornada