sábado, 31 de dezembro de 2011

instável

impropérios à parte
temos o que queremos ter
ainda que na cópia diária
do nosso merecimento
dados desmembramentos contínuos
chove esperança por caminhos contrários
e na espera eufórica de alguns instantes
sofremos o passado que nos pede o futuro
e ralamos com quem se esforça na luta
para ganharmos tempo pelo tempo de agora
esperando vitória sem termos com quem jogar
e indecisos como somos ousamos criar

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

diária expressão

toda essa liberdade exclusiva
que a vida nos doa a cada ano
tem lá suas surpresas é verdade
tem até euforia junto a mesa
e escrita marcada, onde nela tudo está
até que o inesperado se apresente
e nas ideias e ideais faz seu alojamento
nossos sentidos em reflexo inteiro
não expulsam nossos sentimentos
e na corrida deste fim ao longo
nestes destinos embora itinerantes
afluem dispostos ponto flutuante
e mais eufóricos cheios de vontade
vamos que vamos como um cavaleiro andante
afim de descobrir o impossível
afim de colorir o invisível
afim de se dispor ao horizonte
e corremos sorrateiros e felizes
para cada novo dia que há passado

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

o meu amor imperfeito

outra vez a andar em conhecidas ruas
caio no ridículo do tempo
memórias à parte
e xingo à peito aberto
não reflito à momento
e impropérios à parte
no que ralho, passo o tempo onde estou
mais que zangado
decido pelo não certo
e mais uma vez reflito, sobre reflexos
e erros como estes, passados
até onde irracível, estive e ainda estou
nada tenho a declarar

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

escapada pela janela

sob um sol escaldante
um pastor vigia seus animais
e na elevação do monte
mente à risca
segue bem o que a vista lê
águas à contraste, verdes amarelos
orações em caderno
no tempo onde a fonte se esconde
à saber
longe dali uma criança
escapa por uma janela
alegre e feliz

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

controvérsia

meu tempo perdido foi-se
assim como a doce paixão
uma aurora a procura do tempo
um amor a procura do nada
em férteis terras
em lavouras profícuas
essa escolha difícil
sem retomada
adormece em figuras
com um mesmo alguém
a desejar o tudo

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

engavetado

é nesse amar quase molhado
dia a dia com seu fardo
que segue a vida a frustar
e em seu caminho sem intento
passa ao largo sem contento
como se não soubesse onde estar
sua terminação supera
seu conhecimento supera
mas não lhe agrada falar
e no momento fadiga
sem padecer quem o diga
esta na luta a ganhar
e o tempo nem toma conhecimento
desse amor cujo brilho se esconde
bem no tempo do desfecho
bem no avesso do pouco espaço
em sua ausente amorosa
lá onde o tempo quer muda
e não consegue mudar

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

a cor do teu pecado

essa tatuagem justa
onde te merece mais que um sentimento
será ela fruto de nosso rompimento
ou será a máscara da tua delação
como e onde reprovar tal sentido
se na morbidez da dúvida
foste mais que fundo
e escreveste em teu sangue
toda o potente segredo que de mim merecia
sinal dos tempo em palavras grotescas
conexões atemporais
vida privada por um tema solene
desculpas profícuas
em um serviço irrelevante e pérpetuo

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A posteriori

sempre me dizes
que meus sentimentos
são puro carvão
que na força do tempo
se desgasta em vão
não percebes,
quanta ilusão
poderia eu te oferecer
quantos mistérios
poderia eu sobrepujar
se nunca deliberamos
refugiarmo-nos em nossos segredos
e emoldurados pelos dissabores
falamos de rancores com palavras doces
vivenciadas por uma existência supra vazia
pecamos por nos escondermos
no turbilhão desta vil paixão

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Nem mais nem menos

neste instante
que me é permitido
padeço um pouco do infinito
dou férias os meus sentidos
e faço minhas as palavras
que careço e ouço,
o relato é fruto
do interesse de meu juízo
por ele comento
dou um tempo
e a sobra já é luxo
como um ponto de exclamação
descanço destas palavras que se somam minhas
com um afetuoso até mais
ou até mesmo um até breve
e que este espaço tenha eu e ele
um pouco mais de amor e paz

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

retalhos

A sete chaves
sem nenhum segredo
posto gelado
bem dobrado
como um guardanapo
inseguro
debaixo de uma ideia
sem fronteiras
e atrevido
pinto com esforço
um alvo embaixo da mesa
e me chuto com maestria
para ficar paralisado
em seus braços
mas deixo o amor de lado
como quem deixa
escovas na pia
Soberba

Você me critica
em tudo o que me faz
é cética para novas atitudes
no que me faz crer
que só o espaço será preenchido,
o novo tempo que mareja já a porta
tem seu refúgio escondido em marolas
e apenas o coração lembra
com rara exceção
das vicissitudes dolorosas
de quem tem o fracasso
como bela companhia