quinta-feira, 20 de novembro de 2008

diferenças

a teus beijos sobreviví
a teus beiços sobreviví
incondicional
incondicionalmente
como um robot,
um autônomo,
um egoísta
sem qualquer atração verbal, à força
à força
caminhei, conduzí, cavalguei
e dela
ah! dela me escondí, fugí
e ví-me ponta-cabeça
noutros espelhos, labirintos
a caminhos, reflexos
onde o amor pudesse eu
neles construir
neles reconstruir
ou mesmo encontrar
ou mesmo reencontrar
outros beijos,
outras línguas,
outras caras,
e, enfim teu amor em mim
tivesse um fim
e, enfim teu amor em mim
pudesse findar, acabar, ruir

sucumbí

tempos de glória

de olho no vazio
dias de glória
pensando à juventude
dias de glória
escuto lá longe
dias de glória
brigitte, brigitte, brigitte
dias de glória
me solto de meus redemoinhos
dias de glória
e estupefado vejo
dias de glória
uma figura pequenina
que alegre desce a rua
a atender o chamado
tempos de glória

número um

tempo frio
cheiro de canela grassa o ar
a porta entreaberta
deixa-nos a visão que dá
vazios sob lençóis
pedras quentes sob a cama
esse cheiro insistente de canela
a nos dar ânimo
e nestes lençóis revoltos
a cama interage com teus gemidos
sou todo ação

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

entre o fim e o começo

um dia nada é
para quem com pressa
vive
quanta experiência carregas
aos pés do ombro amigo
depositar
saudades e castigos
outrora a vida
em rosas se as abriam
neste universo que carrego
e sobre ele vivo
pelo momento
às honras
que sei
mereço

para isis em diferenças

não,
não é sempre que te encontro
mas,
mas é sempre que eu te permaneço
vidas inóquas
sentimentos vazios
leituras ambíguas
desconte

domingo, 9 de novembro de 2008

para Maria


como te calas
nesta súplica visionária
não sabes,
nossos cíclicos infinitos
são belos
sem tocar-nos
a vida é uma obra
e nela 
estejamos felizes
ou feridos
somos o que havemos ser
ou o que 
haveremos de juntos conviver
somos o amor

a fase


solitária vida
abranda os meus 
solitários momentos
pois vejo o amor
nestes braços teus
e sigo no escuro
quando ainda é dia
não vejo terror
não vejo ilusão
só o frio
que insiste
em separar-nos
onde já é oclusão

gosto duvidoso (modificado)


seu infinito eu sou 
presente em seu tempo, eu sei 
sou seu supremo perfeito, 
aposto ao subjuntivo 
sei que sou 
sou sua ardência 
na nota dó 
sou tua eclipse 
a perfeição tão reclamada 
tua contradição eu sou 
réstia do imperfeito 
presente, passado e futuro 
eu sou 
sem tu saberes 
sou teu amor...
 


(cópia modificada)

du(plicidade) cum,(plicidade)

duas meninas numa gota d´água
emoções à flora
rosto que chora 
saber dividido 
ousadias inversas 
modalidades distintas 
ciclistas, boleiras, naturalistas
qual senso...

(modificado)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

um minuto de silêncio

no absurdo
do silêncio
o mundo
ilha
soube
da força
e vê
agora
o tempo
afastar
com força
a capacidade
de chorar

À minuta, excepcional lide...

Não sou filho da guerra, e, dela nunca estive próximo, mas, me comove no observar, a grandiosidade da revolução dos povos. Essa que o dia-a-dia nos oferece. Falo de individualidade e me reporto a países, cujo conteúdo progressista, assiste a preconceitos omissos ou abertos de toda espécie ao longo dos séculos. Especialmente, analiso e acabo por fim descobrir que a maior e mais poderosa arma do povo é e sempre foi revolução. Grandiosa, a revolução pacífica é a mais sublime das emoções guerreira que se conhece. É nela que o mundo percebe sua mais fantástica emersão de sabedoria e civilidade que a vida nos trás e projeta. É claro nada exime a culpa dos séculos, da opressão e da indefinição humana, que estamos a observar a resistência acabar por derrotar. Mas, é importante saber que o maior e mais importante desafio esta vencido e que num ressuscitar, o povo sujeito e subjugado a temeridade dos tempos está afeito a uma nova abertura. E que nesta vida, o domínio moral, está livre, como também está livre está sua imagem que nos orienta e inclusive estar-se-á livre da sensação derrotista que o mundo todo tinha ânsia de acabar. É, pois, como fosse, a origem ressuscitada. Um retorno à originalidade da vida, ou menos que isso ao equivalente social que margeia a resistência e/ou o acomodamento acintoso que tudo isto vem originando, e, que com golpes de sabedoria e querer na perspectiva da universalidade fraternal foi-se alargando os horizontes sociais que o mundo fantasiava acolher desde já há muitos tempos atrás, e que hoje claramente socializa com a perspectiva. Esperamos à tempos. Esqueçamos a demanda imprópria da guerra e vamos a esperança crível desta nova visão mundial, pois ansiamos beber nesta fonte e que ela torne-se real, pelo equivalente número de anos, que ela nos foi por tabela cerceada.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

tornardos (modificado)


não mais, 
não mais que um sentimento 
que a esperança transforma 
em tornardos
não mais que o céu e o mar, 
uma bonança que a esperança 
sabendo-se incerta 
nos alcança 
com o sublime 
do amar

vogue


tua beleza me chama atenção
como uma tiara
um véu, uma disposição
enteaberta as pernas
pouso em teu colo
o calor de meu amor
sigo uma reta toda a linha
toda a pureza a desbravar
ainda que de sobressalto
no ato, 
te chame,
te clame,
outro nome
possa eu te revelar

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

amor

mais tímido
que o sal
mais encorpado
que o açúcar
e tão florescente
quanto ambos
tu és,
como o sal
tu és a fonte
que fortalece a vida,
tu és
como açucar
tu és o nectar
repousado em profundos sentimentos
tu és,
tu és
o menos onde se é menos,
tu és
o nada onde se é nada

a ferros

e a vida
transborda
como o calor,
um copo de leite
encorpado, forte, cheiroso
abrir os sentidos
inspirar
e sentir-se tomado
pelo calor, pela paixão
e retornar ao ato

retratos

sim amor
quantas vezes engatinhamos por tão pouco
chamando de amor
sabendo que já havia vida entre nós
e dela nossa escolha foi a melhor
sem alteração no rumo
nosso amor só floreceu
e por menos
que dispostos estejamos
fortalecemos nossos sentimentos
e isso para nós é amor
nossa primeira criação

(in)continenti

segui à risca
a nossa emoção
não ganhei, não perdí
nem recebí um não
só fortalecí sentimentos
sem nunca esquecer
nossos melhores momentos

mínimo

nesse poema que te contorna
trevo de quatro folhas
essa procura que endossas
só tua ventura te colore
a vida te colore
não uma vez, mas duas
ou mais de três
onde se esconde tal infinito
são nossos limites, nossas ações
só um verde tu possuís
e não é dele tua flor é do algodão

brinkos

o que te cobre a pendurar
vergonha, amor, desconforto
quero tantas vezes te cobrar
até que se torne
um vício,
um malgosto,
um capricho

gaivotas


são duas da tarde
e na praia rodeadas de beleza e calor
gaivotas perambulam em suas matizes
refastelam seus bicos na dualidade do mar
são duas da tarde
e no olhar a pergunta
quantas a essa hora 
já fizeram seus vôos