domingo, 28 de dezembro de 2008

por um centavo

e a noite eterna nos fez desabrigados
com razão
o amor partiu nossos corações
marcados à luz
deitamos na obrigação
e a vida nova e fácil
nos deu o mundo
e o que nos cerca
fez sua parte
nos enchendo de beleza
sua, nossa, nossos de maior tradução
por um centavo
tornaria tudo outra vez

mires lisboeta

oh! lisboeta
cá estais, onde cá estou
tu não estás triste
nem eu cá estou,
triste é a noite
a conter o dia,
no estrado desta cama
onde, parado, durmo
tu ficas parada porque ?
a mirar-me sentinela !!!
bebo de beber e sonho
mais um pouco a viver
e tu já es um fado
vou contigo vivendo e cantando
mesmo sem tu cá estar de verdade

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

fantasia

entre crotes, cravos e bromélias
tento esquecê-la,
sou como um ator
que sem esquecer o texto,
procura ébrio manter-se sóbrio
para o seu público infiel

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

paparazzi

no tempo
de mandar
calar
e aceitar,
um sapato
vale mais
que dez mil
palavras,
ridículo,
da última
vez
em que
nos encontramos,
o que
jogava-mos,
eram balas,
talvez,
noutra ocasião,
um gesto
obceno,
doa-lhe
mais à profundo

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

a quem gosto ( texto de música do Ivan Lins)

linda estrada que eu corrí
foi seu corpo em pleno amor
e depois do amor
sequer você me quis
feito um carro que perdeu
rodas, bancos e motor
desse jeito é que eu me sinto
prá você
e ao seu lado sou
um carro abandonado
enferrujado na beira da estrada

à Ana a baiana

você é parte deste panorama
a despeito da ingnorância
você é passado é presente e futuro
ainda que nossas diferenças fique em um segundo plano
tenho satisfação em pensar-te
em pensar-te como um monumento
como um atestado do presente
como um farol a dar navegação
e te respeito muito, muitíssimo
e a meu modo te afirmo
adoro ver-te de manhã
ao acordar radiante,
e ir a janela
adoro ver-te ao meio dia
quando a vida pede mais
e a de noite
quando tranquilo ou não
vou dormir
você é muito linda
você é gente muito boa
e ponto final
você é muito linda

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

receita caseira

onde andarás meu amor
se te livro de obrigações
respeito-te
porém em procura
fico a lembrar
de outras que por ti passaram
e de mim esconderam-se
meu grande amor
com egoísmo
te escrevo,
não um rol, uma lista
mas, um desejo
que se lêrem este trecho
me esqueçam, como agora ja vos esqueço
são nomes que nunca os quís,
mas que também não inventei
Inês, Fátima, Emília
Sílvia, Tereza, Ana
das Dôres, e Fabianna
Luíza, Deise e Maíra
Láis, Luana, Irene
Leila, Lorena e Sônia
Socorro, Anita, Fernanda
Luciana, Elisabete, Sandra
Cláudia, Célia e Alexandra
Conceição, Flávia, Fábia e Roseana
Lorena, Marlene, Marilene
Angélica, Beatriz, Laura
Roberta, Sandra e Marcela
Elza, Elba e Suzana
Débora, Dora e Deise
e outras que de mim gostaram
e ficaram bem lá atrás
adeus

um gerúndio para madonna

devagarzinho vou pisando
e neste palco vou entrando
em pontinhas de pés
avisando,
save the planet
agorinha, onde agorinha é já
cada vez mais devagar
vagabundinha vou estar
mas, agora com um sentido
minhas mensagens passar
vou rezando, vou apontando
em pontinhas de pés
avisando
save the planet
devagar, quase parando
vou de lugar em lugar
onde sem sonhar, sequer poderia estar
mas, sorrateira vou avisando
sou guerreira
e bem ágil vou mostrando
se liguem em mim
saving this planet

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

o eu

ainda faço das minhas
tirando onda
jogando bola
dizendo versos
escrevendo prosas
e assim não desisto
sou feliz, sou brasileiro
onde vou, vou com orgulho
não tenho problemas...
nem com a cor,
nem com a religião
não tenho também dúvidas
levo no peito
sou brasileiro
com muito orgulho
com muito amor...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

prazeres noturnos


Dormi envolto em palavras

E, acordei com os dedos cheios de anéis

Deitado estava, deitado fiquei,

Na força de um sentimento

Na força que me assoberba o saber

Por fim levantei-me no espaço

E abri os olhos para a vida

Qual flor esperta

A desdenhar da manhã


u sinpres e di mais


deichei di ti gostá
derna qui tu çaiu pa i nu medicu
asin eo tevi xegandu
pu sima dipau e peda
inda qui seje dimais
vo fiqando nagu nia
ma nun ti falu
fiqa maes faxiu
pa tu i maes faxiu
pa mi
tu vai pasandu ben
i eo deichandu 
di ti gostá



quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

a pratos limpios


como natureza morta 
te vejo à sombra dessa imensidão 
mãos à narina 
as vezes sim, outras vezes não... 

e, foi fugindo do pequeno erro 
que tu não saibas, 
mas te ví um dia... 
à porta de igreja tão verde 
que outros partidos tomaram 
tão bem seu amor, que me pergunto 

e agora como estás!!! 

solitária e escondida 
pois saibas que teu amor, que aqui me trouxe 
nenhum reflexo a mim me deixou 
nem atrás me deixará...

Sede



Do tempo que tenho tempo 
Que hoje trago na mão 
Dele não sou mágico, tampouco sou um anão 
Vou-me arvorado em mistério 
Vou sem levar condição 
Soletro o tempo perdido 
E me vejo no presente 
Com o futuro de então 

Crioula


Crioula, morena 
Morena clara, crioula 
Morena escura, crioula 
Crioula, não me deixes farto 
Desses seios teus 

Crioula, morena 
Morena clara, crioula 
Morena escura, crioula 
Crioula não me tenha pena 
Me afogue as penas 
Nesses colos teus 

Crioula, morena 
Morena clara, crioula 
Morena escura, crioula 
Dona desse desatino 
Dessa pele doce 
Desse mel uterino

Amarras



Sob tua condenação 
Fico a pousar meu olhar 
Na imensidão da paisagem 
Que me cerca 
Com seus braços de pintor 
A repensar qual vazio 
E inconseqüente gesto, 
Nos separa, nos separará... 

Renovação



Tuas lágrimas 
Me deixam comovido 
Cada gotinha 
Perdida em ti 
Cada peróla 
Que escamoteia 
Do teu olhar 
Me faz real 
Me faz solidão de mar 
Me dá ânimo 
Na força do que vem
Do que virá... 

Sagrado e Profano



Sua pele ainda exala o cheiro que te colore 
E nesta tatuagem vívida 
Que a mim ressalta a tua timidez 
Me acolhe em paixão 
E sobro pela vida, sobro nesta imensidão
Mas é neste brilho intenso que te dá moldura ao teu olhar 
Que vejo mais no teu entrepernas 
Do que tu própria tentas com ele contar 
Vejo que nele apontas para o norte da vida 
E me é castigo este mistério tão belo e tão particular

Mania de Você


Diante da tua timidez 
E de meu amor inconstante
Adiante de ti 
Imerso neste universo 
Envolvo-me pragmático 
Ante tanta beleza, ante tanta lisura 
Recluso de idéias, palavras e letras 
Repito, 
Acabas por vencer-me 
E eu sem chances reconheço... 
És o começo !
És carnaval ! 

aritimia


tudo em paz
ainda que nas horas não vejamos o seis
na aldeia atrás dos montes
o artista sabe 
o que carrega como ponte
apôs...  será aquela negra fonte !
talvez alguém lhe queira
ter-lhe um doce
uma nota, um instante
uma mensagem talvez,
consoante
um, dois, sabe-se lá
tudo em paz
no balançar das horas
no vislumbrar dos horizontes

Para Carola (modificado)



Meus azuis 
Meus amigos, umbigos e anzóis 
Estado de espírito 
Sombra de minha sombra 
Mundo de orgulho, divisão 
Ciúme de idade 
Cast(a)idade 
Nunca deixes minha vida bendita 
Nem que seja cedo 
Nem que seja tarde

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

vitoriosa


quantos dos teus 
terei que ver sair vitorioso
para poder botar meu carro a frente
nessa rodada de alegoria
quem tem o que não sabia
não tem nada
que o peixe na mão
tem tudo

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

a moça


pela clara sua tez
negro liso sobre a cabeça 
cobre-lhe a face,
a moça espera o freguêz
que sob escolta
desce a ladeira
triste neve em seus olhos
não é nada, se não lágrima
a riqueza é limite de ostentação
chora a moça
pelo rico rapaz

carnívoro


rosas rubras
tanto calor a procederme
aspereza de mãos
sentimentos findos
gentis gestos
desse que o retrato
não esquece
tenho dito
ainda assim
nestas horas te vejo
a ruminar estrelas
a deitar-se em pastos verdes
a escolher-me como amante

desabafo em vinte e uma palavras


quando o mais é menos
um gole, um pedaço, uma réstia
satisfaz
quando o mais é menos
um amigo, um peixe, uma flauta
atraí
quando o mais é menos
um calafrio, um gemido, uma perda
é malogro
quando o mais é menos
a aventura, o arbítrio, um desenlace
é fato
então não te queixes
a tempos que nossa ventura 
tem sido fonte do nosso destino
sede generosa ao esquecer-me 
e não 
pelo que não te escrevo
sede generosa ao esquecer-me
e não 
pelo que não te falo
sede generosa ao esquecer-me
e não
pelo nada, em troca do nada
sede generosa ao esquecer-me
e não 
pelo vazio, em troca do vazio
pois sei, sabemos, sabes
que o nada é recordação e coragem
que o vazio é satisfação e castigo
então aceites de mim, o que te escrevo
e como te escrevo, 
e até quando esqueço de te escrever
porém, saibas que te escrevo
por amizade e por desafio à nossa amizade
e que este desafio 
caminhe pelo tempo 
no afã de buscar o progresso
e que no fim de tudo
permaneça em nós 
e seja eterno em sua duração 
como o fio que nos conduz a aproximação
como uma vida que nos conduz a amizade
como uma luz que nos conduza 
ao fim do começo que se inicia