quinta-feira, 27 de agosto de 2009

contempôraneo

soberano como estou
sobrou-me em mares,
terras por onde ando,
e, tu quão distante
estás à beira
de outros oceanos...
te vês ou não te vês,
onde me encontro
qual falso espelho
quebro como por encanto
e recolho à peneiras
das saudades
que um dia rumaram,
onde me encanto
se encantado sou

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

atestado emocional

e, deixaste de vir
e, ainda te procuro
incessante
como um vôo rasante
na escuridão dessa história,
nosso temor deixou de ser
tão somente uma forma de união
ficando só um traço corrompido,
ao avistá-lo se prolonga
como um apito noturno
numa estação de trens
a milha de nós

domingo, 23 de agosto de 2009

sonhos em 3D

pois se não é intriga
dizer que a vida
é como um fim de noite
que faz-nos cerrar os olhos
miras e paisagens em 3D,
fazer-nos cerrar os olhos
para estórias vivenciadas
à noturno
estórias conjugadas com a falta,
com o inexiste,
livre da consistência diurna
e dos desejos obstruídos
dos esfoços transitórios
como o fim da consciência,
tal afirmação seria,
uma proposição
sem infinitivo
ou como a treva,
um gerúndio

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

cabeça

neste etéreo mundo dos vivos
sobram os mortos
todos a perigo,
cobrem-se os santos
e os milagreiros
escondidos em cantos
quase sem dinheiro,
sobram marujos
e velhos marinheiros
a encantar a vida
a tocar guitarras
a regatear perdão
da mulher amada
em troca de chão

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

brisas 2009

na imensidão,
o mar...
o homem,
à cavalo,
alinha-se
sobra em desalinho
não sombra...
e corre sem desesperar-se
é coisa da vida
é plural

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

a eleita

de biquini
toda excitação lhe dita
a mim que já perdí
beijos em sobra
ardentes o sol lhe dá
barriga, umbigo, ombros
onde mais te abrigo
te ouço
sussuros, suores
amores vivos

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

visão noturna - para vera

saídas suadas
contornos fluorescentes
ruptura pela lente
aí me recordo
que já é finita,
a hora,
que traça teu perfil
tua beleza,
é nela que me encolho
coberto de velhos sentimentos
coberto de velhas canções
de velhos amores

terça-feira, 11 de agosto de 2009

frenesi - para juliana

numa ilha
longe, bem longe
ao vivo e distante de ti
como nuvens de papel picado
prédios desmoronavam
porque não...
saudando tua beleza
estonteante e juvenil
me assortavam ao chão,
cheio de coragem
pus-me todo em elogios,
perdí a voz, passei rodado
e na madrugada
que se avizinhava
é o ego quem se machuca
na mais pura fantasia
a descontar em sonhos
mal acordados
um novo encontro
embora sem ter-te ao meu lado

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

tabuleiro para baixo

no alisar
destes quase losangulos
bailam maestramente
os cavalos
enquanto perto
sobram peões
o rei e a rainha
na torre
obram

tabuleiro para cima

no sarcástico riso
quanta indiferença,
próximo a conjectura
o pião espreita
atrás da torre
o bispo,
enquanto o rei
come a rainha

encontro

uma bolha
brota
na imensidão,
no espelho
vê-se, um velho,
que pelo aspecto
vive a torturar-se
em letras

como a cléo

nem tão gato
nem gatinho
fica
um romance
uma xícara
e o açucar
fundo de paixão
cléo

rapidinhas

um minuto
faz a diferença
entre o moço
e a moça

xxxxxx

um minuto
faz a lógica
do login

xxxxxx

um minuto
é como um salto
no profundo da noite

xxxxxx

num minuto
o motorista proteje
no outro atropela

xxxxxx

um minuto
é o tempo gasto
para contá-lo


xxxxxx