segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

considerações acerca de um caminho

o sol e a lua
conjugam para nós
este universo vida,
a transmutação do tempo
e segue sua melodia genética
na dança dos astros e mais
nela vivemos circunstancialmente
da impetuosidade dos ventos
do vigor das ondas
e da suavidade das brisas
vivemos sem temer
um chamado qualquer de percurso
e muitas vezes ousamos
pequeninos atos de amor

domingo, 20 de dezembro de 2009

imperfeição

a paciência tomou conta
do meu espírito
e caminhou comigo,
depois de um tempo
virou preguiça,
também tomei
o que não era meu
pelo tempo, e,
não posso devolver
se não esperar
o que mereço
pereço faminto
igual gaivota
em mergulho vigoroso
na imensidão do mar
escondo-me das companhias
em torno do alimento
que busco no mergulho
e que o orgulho me faz voltar
derrubando ciclicos
na imensidão da vida

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

amor próprio

como posso te esquecer
se você está assim comigo,
coladinha,
como a noite e o breu,
eu já não sou você,
você já não o é, eu
e assim na vida
um pesa o outro não,
não pesa,
um sim e o outro não
um vive e outros sobram
eu sou você
e você não o é, eu

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

distração

nessa quinta irregular
quanta aparência sugere prosperidade
ou que nos proporciona tranquilidade enfim
o fato de mandarmos uma mensagem sem retorno
ou a resposta que nos refaz como um lampião ao azeite
um melão em quatro partes, finda uma sobram três
então que seja outro dia, outra vela, outra vez

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

o atelier do real

no cinema...
após uma rapsódia intermitente,
uma sessão e o filme elegendo...
correrias e paredões
no derredor da cena,
cavaleiros desmontados
rifles em punho, adágio,
o vazio, canos o apontavam
na mira e a elite assemelhada pelos raios da manhã
juntavam-se a frente do paredão,
riste aos nervos, esperava sob ordens o sol
esperavam a vez,
a correria bondosamente tinham-lhes
tirado a respiração, tolhido seus pensamentos
e o tempo urgia à cavaleiro,
sob o vermelho do clarão do sol e das armas
no tempo nascente quente e úmido que dava impulso ao orvalho,
o mesmo orvalho que impregnava o chão
um a um jaziam cobertos pelo aspecto da vida naquela manhã,
contavam-se pela cobertura do imerecido tempo,
e corta,
na cena seguinte o final,
um temporal lava o brutal ato
e o sangue fresco escorre chão afora
dando então ao filme o seu final

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

livre arbitrio

paraiba na capital , quem a ti duvida...
és colosso, grande roda e pouco fosso,
em tua história canto e relembro coisas da vida,
que o tempo e o vento me encoraja e me trás moço,
és a melhor parte de quem a ti se explica,
somando quem sabe a nos ensinar em nova língua,
teu nome um estado, que o bem contempla à divina
escutar teu som é lindo, neste grande complexo que se afina,
dizer com o coração quanto se ama esta terra linda
se não és a metade, és o inteiro e mais ainda,
pindorama de cores, fruta de praia,
teu realce alegra em muito minha vida
por mais que mereça, vitorioso, ainda te devo,
tudo que tenho, o dobro e mais ainda

terça-feira, 17 de novembro de 2009

assunto vencido

o reino da floresta
manda dizer
que a educação não é lazer
tirar floresta pro sustento
foi bem melhor do que alimento
agora já passou o tempo
o que não se tem
não vale o provento
parar quem sabe
não dar a importância
já dá pra proteger
essa pequena mata atlântica
se bem que a coisa é feia
lá pro Amazonas, querem ter o verde
santa ingnorância

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

leitura sobre a Rua Velha

Rua Velha vou embora dela se já não faça parte
vou-me em tempo,
das minhas sabedorias as minhas lembranças
pois em ti passeio, como o belo hoje,
feito um sol latente curtindo o teu passado
pois se bem em cima de teu asfalto distante
quantas vezes quantas não adormeci cansado,
e pelos números certos de tua convivência
saltei muitas vezes destas acordado,
quantas outras vezes não soletrei destino
em minhas frases curtas feito a labirintos
mas, eram meus os pés que te viam em pedras
na segurança pura de nossas amizades,
corríamos nós quando à contento ouvíamos
de não haver as ninfas cuja rua eu era parte
na continuação do tempo deste um bairro quente
cuja gente havia na ordem desta um presente
e se já em teu progresso hoje bem distante
tão imaculado pela tua solidariedade
o que não só de mim, de outros então se tinha
encanto desta velha vida rara em nossa saudade
e quem não se fez a ninfas que o presente nos muda
corre ainda muitos e é futuro desta leitura rasa

sábado, 14 de novembro de 2009

divida (original)

outros dias neste calendário
será o que será
o par que trai o ímpar
o conjunto que destoa no complexo
outros dias quentes
nestas noites frias
outras manhãs contentes,
ensolaradas neste calendário
o que sobra... sobrará...
o perfeito inferindo imperfeitos
qual contabiliza
o oriente ou o ocidente,
neste calendário
sobrará agostos em lugar de junhos
quem salva ou o que salvará
quem julga ou o que julgará
neste calendário tem-se dias
sem que o ímpar traia o par

divida com dezembro

outros dias neste calendário
outros meses
será o que será
o par que trai o ímpar
será o que será
o conjunto que destoa do complexo
será o que será
dias quentes, em noites frias
manhãs contentes ensolaradas
neste calendário
o que sobra, sobrará
o perfeito infere imperfeitos
indo de um limite a outro
qual contabiliza
o ocidente, o oriente...
neste calendário
sobrará Junho em Agosto
quem salva, quem salvará
quem julga ou o que julgará
neste calendário tem-se dias
tem-se meses
sem que o ímpar traia o par

domingo, 8 de novembro de 2009

exitação verde

quanta grandiosidade
quanta confusão
quão rápido é a vida
em tamanha imensidão,
corta-se o planeta,
igual a sentimentos
de poetas,
chorar sonetos
viver de prosas
namorar as letras
e,de fato...
merecer as sérias criticas,
oh verde, oh verde,
deitar na relva
em breve talvez,
seja na melhor da hipoteses
a única beleza da terra

besteiras declaradas

mudanças climáticas
essa não
o que diria
essa pobre nação
cortando campos
derrubando matas
coitados...
o grande e o anão
e, como fica
o tal enriquecimento,
tirando da terra
para comprar
seu sustento,
o chão
arvores nativas
plantas essenciais,
e la se vai
o globo do cai não cai
... ninguém lhe põe a mão
ninguém lhe põe proteção

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

toada dos quatro ventos

quatro ventos vivi
a sombra de um galope
pensava... era o meu trote
agora peço moço,
desça-me desta beleza
que a altivez enobreça
e a mim não me traga à ação,
vou-me começando o dia
com pequenas alegrias
que desta sorte, tu sempre me trás a mão,
sou imagem do passado
deste não nego, afortunado,
mais isso não é o retorno,
nem de vivo nem de morto,
digo quase sem jeito,
o amor sempre tem razão
que o céu lhe clareie a missa
e que eu junto lhe diga, mais solto
se de fato estou ou não
à ação do vento, me corta,
me rola o coração,
alegre ou triste nesta toada,
ou em qualquer outra canção
despeço deste momento
com a saudade do abraço
que te carrega a regaço,
como quem dorme de dia
e vive de noite o perdão

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

irresistível

a cada coração que se parte
haverá sempre a velha desculpa
sou forte e resistente
maior que meu ego serei,
e tal sofrimento vacila
quando a verdade torna-se clara
e o mundo percebe a gratidão
que da-se com o perdão

este display fala da vida
nos convidando a olhar
pelo espelho da verdade
o que ousamos destruir
com mentiras

à brasiliana

Insensível,
como a gota
que revela
teu perfil,
indomável,
como o crepúsculo
que não se orienta
sem o teu esplendor,
rebelde,
como a esperança
que teima em querer-te
mais que eu
é assim...
e, vamos vivendo
de amor,
a fórmula mais certa
da existência humana

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

em três dos quatro tempos

o tempo
onde se esconde este amigo
e qual então seu poder hoje,
que seja o resto do brilho de ontem
escondendo-se no seu melhor
qual dia lhe dirá na dor
o que resta,
ou o que restou do seu amor
pelo passado que hoje o é não defende,
presume-se,
que a vida lhe esteja sempre
no presente

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

para quem desliza
entre lençois alheios
um abraço um floreio
serve como consolo
ao devaneio
o texto abaixo foi retirado deste display

entre o trágico e o absoluto

O Grande e o pequeno

Todo caso de amor tem um grande e um pequeno. Alguém um dia falou, em francês, que em todo caso de amor il y a toujours qui aime et qui se laisse aimer. É mais ou menos a mesma coisa. O pequeno ama, o grande se deixa amar. O grande fala, o pequeno ouve. O grande discorda, o pequeno concorda. O pequeno teme, o grande ameaça. O grande atrasa, o pequeno se antecipa. O grande pede, ou nem precisa pedir, e o pequeno já está fazendo.

Não é uma questão de gênero. Existem homens pequenos e homens grandes, mulheres grandes e mulheres pequenas. O temperamento e as circunstâncias influem, mas não determinam. O grande pode ser o mais bem-sucedido dos dois ou não. O pequeno pode ser o mais sensível, mas nem sempre é assim. Muitas vezes o grande é o mais esperto, mas existem pequenos espertíssimos. Depende do caso.

Como ninguém descobriu, até hoje, uma regra que permita determinar qual é o grande e qual é o pequeno, só observando o casal mais atentamente.

Na rua, o que anda distraído quase sempre é o grande. Quase sempre, no cinema, o grande só decide comprar pipoca depois que os dois já estão acomodados nas poltronas. O pequeno, então, fica esperando, vigiando, tomando conta para o filme não começar antes de o grande voltar, o que, por algum motivo, seria uma tragédia.

Numa festa, o pequeno deve estar ansioso para que a noite seja boa, principalmente se foi ele que sugeriu o programa. O grande se comportará de maneira indiferente até se embriagar pela música, pela bebida ou pelo ambiente, quando então ficará muito mais animado do que o pequeno. Mesmo que o pequeno dance bem, o grande sempre dançará melhor. O pequeno evita o silêncio porque tem certeza de que a culpa é dele, por isso sempre tem arquivados na cabeça assuntos que possam ser úteis em todas as ocasiões. A calça nova do pequeno dificilmente lhe cai tão bem quanto a do grande, assim como o cabelo do grande está sempre melhor que o do pequeno, ainda que a festa inteira pense exatamente o contrário. O pequeno geralmente se comove com a lua calado, enquanto o grande aponta, olha só a lua. No final da festa é sempre o pequeno que quer ir embora, reservando o melhor da sua alegria para o resto da noite, enquanto o grande se despede dos amigos displicentemente.

Mais tarde, o pequeno é macho, é gueixa, é desgraçado, é exclusivo e, se o coração do grande por acaso ouvir seus gritos, que sorte. No dia seguinte, o pequeno estará inevitavelmente preocupado: será que fiz tudo certo? Acho que eu não devia ter dito aquilo. Por que toda vez sou eu que beijo primeiro? Na dúvida, vai correndo procurar o grande, apesar de ter prometido que nunca mais faria isso.

O grande e o pequeno podem ser de qualquer espécie, inclusive bichos, com exceção dos gatos, que são todos grandes.

Não necessariamente formam um casal. Não é só nas histórias de amor que existem grandes e pequenos. Havendo mais de um, um par qualquer, dois adversários, dois irmãos, dois amigos, sempre haverá o que quer mais e o que quer menos, o fascinante e o fascinado, o generoso e o pedinte.

Mas como tudo pode acontecer, senão nada disso ia ter graça, a qualquer momento, por alguma razão, geralmente à noite, imprevisivelmente, o grande pode ficar pequeno, e o pequeno ficar grande de repente. Basta um vacilo, um acaso, um cair de tarde, um olhar mais assim, um furacão, uma inspiração, uma imprudência.

Quando isso acontece, é comum o pequeno ficar maior ainda, o que torna automaticamente o grande ainda menor. O ex-pequeno, logo que é promovido a grande, pode se vingar do ex-grande, se seu sofrimento tiver boa memória. Aí, coitado do novo pequeno, vai se arrepender de cada não beijo, cada não telefonema, cada não noite de insônia, cada não desespero, cada não entusiasmo, cada não carinho inesperado, indispensável, inevitável, imprescindível, cada não todas as palavras apaixonadas em qualquer língua do mundo. Ele vai se surpreender com a reviravolta, no começo, mas vai se conformar com sua nova condição de pequeno em seguida. E então vai seguir, cuidadoso e desastrado, na quase inútil intenção de conquistar o grande urgentemente.

Escrito por Adriana Falcão.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

porque não

é foda ver a aurora
das tribos de nossa hora
camisas de toda cor,
chuteiras de muitas famas
sabidas na vida dos dribles
a pendurar suas marcas
em muitos outros países
é foda
ver os donos e donas
da nossa emoção
é Maria é joão
placas e prêmios à mão
é foda ver de fora
e aqui dentro não
talvez seja só por demérito
ou talvez por casuísmo
um fato dessa grandeza
nunca aqui ter acontecido
agora que temos a copa
e na circunstância
um vida olimpica
dedilhamos noutros rumos
e seja de fato na nobreza
acabar de vez a tristeza
por nunca um grande prêmio
sequer tê-lo aqui merecido
não vamos esquecer por descaso
o que de fato lhe é dito

então seja verde
o que a chuva nos trás
ver o que ver
e não ficar
muito atrás
como a esperança
que não podemos
esconder
e nem descobrir
demais
este display é prá saúde

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

tem display novo

embora o saber
assoberbe o ser
resta a quem reste
o que queira dizer, leia-se

ponto e vírgula

vencido os afazeres
clono o caminho percorrido
e esvazio meu saber sobre a mesa
que lívida e transparente
me absorve
e me ligo na noite caida
como se o amanhã
fosse o estudo dos mestres
como se o amanhã
já fosse hoje
e o é,
embora para poucos
a caravana passa

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

display

em riste a batuta
escaneia o ar
como um som
indelével
que orienta
a orquestra
e dela maravilhas ouvis

doce intenção

sorria...
em tua imensa paixão
desdenho a vida
e o que dela quis enchergar
sem tempo
meus olhos já não vêem
com a mesma intenção
e os sentimentos
outrora duradouros
escorrem de mim
pelas minhas mão em concha
nesta inocência o crespúsculo
atenua o dia-a-dia
e novas descobertas
brotam com a intimidade
que se dá aos vencidos
e tornam sob qualquer forma
a vida renascer
em uma grande, nova e bela jornada

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

onde esta a tal diversidade
esconde-se nestes mantos claros
esta pertinho, esta longe
vai mais um display dela

sábado, 26 de setembro de 2009

inconstância

alguém pro acalanto, reconheço
preliminares de um recomeço
sem a precisão do amanhã,
sem necessidade de chamar de seu
o que ainda não era
sem o costume do adeus,
sem a clausura dos tesouros
mas, com o rubor da verdade
com afã da iminente luxuria
com o calor dos toques sensíveis
com a pluralidade da desculpa
com o desejo a descoberto
com todos contra
manifestem-se,
és puro devaneio,
a ti escrevo, bonito fruto que és
como uma laranja, como uma flor
neste nascimento de beleza distante
como na inconsistência do gozo, uma tatoo
numa posição de rompante
a trezentos por hora
a virgem que se faz,
porque dorme agora sobre as tintas
do que ainda não vivi
pois em teu colo,
castigo,
ouço cantigas fortes
como esta,
que sai mais fácil
que o azimute

o mais da diversidade

alguém pos um olhar
e deste olhar
muito pode-se dizer
mais um display por favor

por onde estive

a mesa
pão, salame, azeite
vinho tinto,
à verdade
luz de velas,
considerações,
soltas as chamas
pelos olhos escorrem,
lágrimas,
pós escritos
nada fiz
semeei saudades...
iluminei sorrisos...
desenhei escritos...
repeti
vi plantas
no jardim dos fundos
vi sinais,
vi quintais em origens
Silvias, Socorros,
Terezas, Anitas
Machados... recorrí

malha fina

solteiro,
sofre sem trânsito
à espera de taxi
malas à calçada
o tempo urge
o pulso suado
dá-lhe agonia

para quem gosta de diversidades

para quem gosta de estar antenado com as músicas,
e de soltar a voz, vai um display de um site muito legal.

(extraído do olhardigital.com.br)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

sozinho

em teus beijos
mil pedaços me ví
sob cansados recursos
cativo a destronar-te,
como pássaro ferido,
nestes dias
mil vidas vivi,
já viajo com a luz a luzir
não fosse o paraíso
que hoje relembro
o que seria de mim
sem ti

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

poesia Matemática (Millor Fernandes)

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.

"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas senoidais
nos jardins da quarta dimensão.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.

E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.



domingo, 20 de setembro de 2009

descaminhos

se o mar são ondas
onde navega o coração
o que será do peito deste aflito
com saudade e sem consolação
como fica o sujeito
dono dessa tamanha imensidão
será dia ou noite
o que passa de bom
em seu coração

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

a rédea curta

então o sentimento
tornou em seu linguajar
uma viagem
esquecera das estórias
mas, participava amiúde
passava incólume
constituía esperanças
mesclando trovas
escutando o tempo
esquentando amizades
assim, era a Luíza
com suas calças pintadas
esperando que a qualquer momento
o mundo caísse em sua cabeça
hoje, ela já me chama de tio
fala seis línguas
e educa seus filhos
na Inglaterra
é a puro sangue dessas mulheres
o sangue bom, diria a mim
corrigindo minhas insinuações
desafiando meu controle
sobre ela desafino, esmerilho letras
sou seu amigo, sou seu colo
nisso pode apostar

sábado, 5 de setembro de 2009

papel dupla face (modificado)

chega a hora de desdobrar
sentidos em sentimentos
pois aconteceu agosto
desaparece,
é certeza natural do tempo
posto que agosto nos atrai
como a flor atrai a abelha
pelo polén
assim como o jarro atrai flores
a vida outras vidas,
agosto nos dá o primor,
primavera juliana,
que sejamos então,
uma estação partindo daqui
nessa identidade repartida,
semestrada,
ignorada por se impor
com preguiça,
de qualquer modo ou sintaxe
agosto nos afortuna
agosto nos trás a vida



quarta-feira, 2 de setembro de 2009

atordoados

há quem as carregue
e se limite pela ação do tempo
pedras, não ninhos
estes,
há quem os carregue
sem limites a ação
do tempo e de mistérios
neles pássaros cativos
fogem ao avistar-se,
jaz, a diferença entre escolhas
num portal miúdo
adormecido,
como um incisivo
agosto

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

contempôraneo

soberano como estou
sobrou-me em mares,
terras por onde ando,
e, tu quão distante
estás à beira
de outros oceanos...
te vês ou não te vês,
onde me encontro
qual falso espelho
quebro como por encanto
e recolho à peneiras
das saudades
que um dia rumaram,
onde me encanto
se encantado sou

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

atestado emocional

e, deixaste de vir
e, ainda te procuro
incessante
como um vôo rasante
na escuridão dessa história,
nosso temor deixou de ser
tão somente uma forma de união
ficando só um traço corrompido,
ao avistá-lo se prolonga
como um apito noturno
numa estação de trens
a milha de nós

domingo, 23 de agosto de 2009

sonhos em 3D

pois se não é intriga
dizer que a vida
é como um fim de noite
que faz-nos cerrar os olhos
miras e paisagens em 3D,
fazer-nos cerrar os olhos
para estórias vivenciadas
à noturno
estórias conjugadas com a falta,
com o inexiste,
livre da consistência diurna
e dos desejos obstruídos
dos esfoços transitórios
como o fim da consciência,
tal afirmação seria,
uma proposição
sem infinitivo
ou como a treva,
um gerúndio

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

cabeça

neste etéreo mundo dos vivos
sobram os mortos
todos a perigo,
cobrem-se os santos
e os milagreiros
escondidos em cantos
quase sem dinheiro,
sobram marujos
e velhos marinheiros
a encantar a vida
a tocar guitarras
a regatear perdão
da mulher amada
em troca de chão

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

brisas 2009

na imensidão,
o mar...
o homem,
à cavalo,
alinha-se
sobra em desalinho
não sombra...
e corre sem desesperar-se
é coisa da vida
é plural

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

a eleita

de biquini
toda excitação lhe dita
a mim que já perdí
beijos em sobra
ardentes o sol lhe dá
barriga, umbigo, ombros
onde mais te abrigo
te ouço
sussuros, suores
amores vivos

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

visão noturna - para vera

saídas suadas
contornos fluorescentes
ruptura pela lente
aí me recordo
que já é finita,
a hora,
que traça teu perfil
tua beleza,
é nela que me encolho
coberto de velhos sentimentos
coberto de velhas canções
de velhos amores

terça-feira, 11 de agosto de 2009

frenesi - para juliana

numa ilha
longe, bem longe
ao vivo e distante de ti
como nuvens de papel picado
prédios desmoronavam
porque não...
saudando tua beleza
estonteante e juvenil
me assortavam ao chão,
cheio de coragem
pus-me todo em elogios,
perdí a voz, passei rodado
e na madrugada
que se avizinhava
é o ego quem se machuca
na mais pura fantasia
a descontar em sonhos
mal acordados
um novo encontro
embora sem ter-te ao meu lado

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

tabuleiro para baixo

no alisar
destes quase losangulos
bailam maestramente
os cavalos
enquanto perto
sobram peões
o rei e a rainha
na torre
obram

tabuleiro para cima

no sarcástico riso
quanta indiferença,
próximo a conjectura
o pião espreita
atrás da torre
o bispo,
enquanto o rei
come a rainha

encontro

uma bolha
brota
na imensidão,
no espelho
vê-se, um velho,
que pelo aspecto
vive a torturar-se
em letras

como a cléo

nem tão gato
nem gatinho
fica
um romance
uma xícara
e o açucar
fundo de paixão
cléo

rapidinhas

um minuto
faz a diferença
entre o moço
e a moça

xxxxxx

um minuto
faz a lógica
do login

xxxxxx

um minuto
é como um salto
no profundo da noite

xxxxxx

num minuto
o motorista proteje
no outro atropela

xxxxxx

um minuto
é o tempo gasto
para contá-lo


xxxxxx



quarta-feira, 29 de julho de 2009

agradecido

qual rio fundo, abissal, talvez
em que estou sob tua carona,
onde vamos dar agora,
se meu medo não te frequenta
e eu não tenha lá onde depositá-lo
se tua luz está onde sempre esteve
eu, me retiro, desta campanha
onde não possa te alcançar
nos braços meus.
livre desta margem
sou o que tu tiveste,
sem deixar de querer-vos outra vez, um dia
e nos veremos muito mais alegres
para todo o sempre que é muito mais que um dia

complexos

em casa como um radier fugidio
estive até ontem
sem somar condutas
nem multiplicar ações
hoje sou o que não fui
um desvio (talvez)
de uma configuração tardia
a correr como um lobo;
a transportar idéias
que (me) interlaçam
para que a pressa... então
não me deixe sem rumo
não me deixe a dissecar
dissabores

terça-feira, 28 de julho de 2009

poema sem nome

pela grandiosidade
que me declaro a vida
revejo os instantes
dela na escuridão
e faço desta
na peleja à vista
quando acordado
bem à disposição
me lavo dos fados
que agora canto
assemelhar-me aos pássaros
que vem e que vão
avistando claro do que não é perfídia
o sendo deixo passar no rés deste chão
não me cabe pois tanta indiferença
se agora lhe acalento o rubor da emoção
meu coração é alma sem assemelhança
a fibrilar a vida nuvem passageira
no doce deleite deste imenso chão

maquiagem

queria me esconder do dia
ter a noite como amiga
se em tua companhia
cair em braços teus
cantar uma canção
te embalar a vida
ainda que dessa
levasse apenas ilusão

segunda-feira, 20 de julho de 2009

a tua falta

cheguei da rua
procurei meu choro
o meu soluço
e um catre
onde pudesse deitar
me aninhando da vida
pois dela busquei
insistente o fim
da agonia,
rolei sem sentidos
voltado para a dor
que me adotava
vislumbrando a luz no fim do túnel
sem acordar da imensidão
de tanto amor
e nem em sonhos te ví

quarta-feira, 15 de julho de 2009

aos braços teus

então somos
o que podemos ser
noites de frio
sombrios
e, ventos gelados
sem assobios
aos nossos olhos,
nossos ouvidos
rezas diárias
num ponto
vazio
então somos
os euxaridos
do perpétuo
escravos do dia
sobras das ordens
filhos do socorro

a musa ria

e a musa se despia
para o paparazzi
que perplexo
negava o contexto
escondendo no realizável
abundando pela sua mão
fotos caíam ao chão
quanto rubor
pelo suor lhe escoria
enquanto a musa despida...
ria

segunda-feira, 13 de julho de 2009

pela morena

tive ganas
e te beijei,
incontrolável ser,
intermitente beijo
nesse sentido crescente
reintero a euforia,
nunca em recesso
neste amor universo
permaneço cá,
vivido e tranquilo
ouve-me, pois
se em tu me reintegro
como um inspirado poeta
nestas noites quentes
que me nego

em troca da solidão

quem somos nós
querendo a verdade de agora
somos quem queremos
em qualquer lugar
em qualquer hora,
somos exemplos
e nos crucificamos
numa cocheira,
num fim de linha de onibus
ou num cais
somos e pedimos
pois queremos sempre o mais
viajantes finitos
modelos de passagem
e sombra de muitos ais

retalhos amorfos

sem endereço certo
a arte corrompe o amor
e se aninha nele
como um pardal
procurando migalhas
em sua fome descomunal,
será que o seduzido
se dimensiona com o infinito
ou será o encantado
que da dá de cara com o seu enfado,
talvez neste rebuliço
a arte seja um ponto infinito
e no próximo conclave este amor
fique claro como abduzido...
tempos modernos
pós espaciais
nós nos entregando
em afazeres amorais

quinta-feira, 9 de julho de 2009

concumbinato

e o prego enfim
jazia com maestria
sob o olhar circunstante
do martelo

quarta-feira, 8 de julho de 2009

pela mobo

vida moderna
língua estrangeira
olhar mágico, olho mágico
estertores do amanhã
saia plissada como o agora
um templo de sabedoria
alcance de mira
anárquica dolcente
vida magia
pertubação de carente
trivia alegórica
urticaria latente
mais restos de comida
um bom sandwich quente

terça-feira, 30 de junho de 2009

simbólico amor

em sua curvatura me vejo
antigo artigo,
o obliquo que desdenhei
não tinha a cepa dura,
que tua arte carrega
exageros com os tidos
são plurais evidências
de uma vida cubica,
deste que a emergência lateja...
e, neste desenrolar de tarefas
exije-se então
respeito que a vida
lhe deita infinita gordura,
não lhe culpo nem lhe caibo
por extemeduras
mas sim o silêncio que em mim
tu murmuras

sexta-feira, 26 de junho de 2009

tristezas

um erro de estripolia
deu-me no que não queria
deu-me por destino,
a falta de harmonia
sobreviveu o desamor...
é com desdém, que obrigado
curvo-me sobre preconceitos,
a escrever monossílabos
a destilar sobrevivência

o final

do teu ouvido, roubei um segredo
roubei um pedacinho do teu destino
roubei sem medo de ser pego
pela tua imagem refletida
em minha grande agonia

dúvidas

tal controverso apelo, nego e desconheço
se nem sei mais, nem menos,
apelos contrários
na hora do dividir, o multiplicado...
todos nós estamos muito bem... encrencados

sábado, 20 de junho de 2009

quatro erros

nem queira me induzir aos trilhos
sou curva, sou reta e intersecção
meus caminhos quero conduzir
e neles deitar e dormir
com a tranquilidade de quem
errou e sabe seu erro
apesar das diferenças
os fracassos o são, água vencida
nem o vento lhe impõe direção
apenas o que a vida lhe indica
no final

sexta-feira, 19 de junho de 2009

aos frangalhos

este torrão
cujo esperançoso espaço
agora frequentas
não te colore nem te aguenta
metade do que tu já foste um dia,
mesmo a mercê de tu
este e a parte que tu penas
agora fragilizado, não te sustenta
mas a outrem que por si te orgulhem

aproximação

sem afirmar
retorno ao sentimento
mútuo mas mesquinho
que todo soneto
tem um poema que se preze
por acompanhamento

despedidas

um poema
por uma calça desbotada
nela fragmentos
lhe indicam um caminho
passado em francês
e toda trama
escutada a rugir como um leão
como um tintan
a mercê do tempo,
como uma garrafa de cerveja vazia
jaze sob escombros sem dono
vazio e sem objetivos

o coreto

amiúde tangiversava o pioneiro
lágrima lhe escoriam pela face
tão grande sua sincronia,
e o tempo lhe sobrava agora
embora pouco lhes cobrassem
sabia o que lhe impunha
tamanha sintonia


terça-feira, 19 de maio de 2009

minina

eu que já estou um saco
quando abro estas páginas
e vejo essa minina
me deixo molhar
eita... quão bela que é
fácil também
mas o que me encanta 
é a sua maneira
depois, tal carater e simplicidade
toda altaneira não zomba 
não desgruda, não permuta
é a minina em pessoa
e eu já lhe disse
quando eu deixar de molhar
e como ela ficar
vou queirer um beijão
sei que de mim ela não tem
aquele medo não
torça por quem torcer

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Temporão

e, no escuro da noite

pisava sapos

cuja língua não se escuta

como humano que somos

assim, surge mais um belo

em meio à floresta a travar contatos

a azeitar pedras, a revirar memórias

a alegrar vícios, deixando transparências subtropicais

a ação da imensidão do tempo,

divagando o dia-a-dia das cinco noites,

gerando frases desconexas , e, mais,

ainda agradecido por mais um tempo,

deixando um pedaço seu em cada esquina

colorir conversa, para que a libido continuamente

Possa coroar de alegria tal renascimento

quinta-feira, 7 de maio de 2009

esmalte colorido

sem te ajudar 
tuas trapaças crescem
sob estas cadeiras
envelhecidas pelo trato,
um carcereiro chora
e no avanço a admiração 
levanta-se das sombras
e deixa cair escondido sobre mangas
um às de copas,
sob tuas trapaças 
à cabeças para sempre
merecendo ou não 
velhas lembranças coloridas

segunda-feira, 13 de abril de 2009

resolução



sobre o decreto
descansa o insidioso
corpo que traduz
um erro do escrever
sobre as palavras
sobram as frases 
desconexas
no axioma quase infinito
infinitivo

quinta-feira, 9 de abril de 2009

La rosa

La rosa

Una rosa

Signo del amor

Pasión y locura

Desajuste

Naturaleza muerta

Paso de la edad

Total de inocencia

Frutas Raras

Dulce y fuerte

Simulacro de la derrota

La compasión y la victoria

Rosa escarlata,

Rosa Blanco

El miedo más

Parte perder

A rosa





A rosa
Uma rosa
Sinal de amor
Paixão e loucura
Desencontro
Natureza morta
Passagem de idade
Total inocência
Frutos raros
Doces e fortes
Simulacro de derrota
Compaixão e vitória
Rosa escarlate,
Rosa branca
Temor acabado
Festa vencida

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Oração à São José


Ó glorioso São José, a quem foi dado o poder de
tornar possível as coisas humanamente
impossíveis, vinde em nosso auxílio nas
dificuldades em que nos achamos.
Tomai sob vossa proteção a causa importante que vos
confiamos, para que tenha uma solução favorável.
Ó Pai muito amado, em vós depositamos toda a
nossa confiança. Que ninguém possa jamais dizer
que vos invocamos em vão. Já que tudo podeis
junto a Jesus e Maria, mostrai-nos que vossa
bondade é igual ao vosso poder.

São José, a quem Deus confiou o cuidado da mais 
santa família que jamais houve, sede, nós vos
pedimos, o pai e protetor da nossa, e impetrai-nos
a graça de vivermos e morrermos no amor de
Jesus e Maria

segunda-feira, 6 de abril de 2009

aloha


aloha para a vida, diz o sol
que escondida se aprofunda no saber
aloha para o saber, diz o sol
que cria para a vida a esperança do viver
aloha para a esperança, diz o sol
que faz com que as crianças vivam sempre a aprender
aloha para o aprender, diz o sol
que faz com que todos aprendam sempre com prazer

Tião e Zefinha



Tião negro simpático
reservado,
não contava farol
não ria alto
estava a sorrir, sim
mas, discreto 
em suas entrelinhas;
Gostava, dizia: era do amor e do mar
Alias perguntando respondia,
"Quero um dia no meio do mar"
Ríamos
mas, tinha o Tião
Coragem de ter e tinha
Tinha também o amar,[
Plantado no chão,
Cuidava de sua montaria,
com o que sobrevivia
E, sonhava com o prazer
De ver a Zefinha passar;
Pesadelo cabo-verde
Que ousava gostar
Tratava-a muito bem, à corte
Especialmente nas noites Veridianas,
Onde a saia... rodava solta
Onde os tamancos se davam bem,
Havia o gosto até de ver
Nestas noites na casa da Veridiana 
Bem lá, onde as noites se davam
Onde as rodas moldavam o chão
Com a hora iniciada,
Com a cadência marcada
Noite à dentro de verão.
Tião, na coragem era dono de si
E de Veridiana em Veridiana
A corte transformou-se
E Zefinha saia-lhe bem;
Com o tempo de festa
E destes olhos para além.
A esperança era o desejo,
E o desejo a corrida,
Na corrida o transe, a transa
Assim pois, quem já vira
Caíram-lhes dias.
Veridiana que ao casal aproximara
E, da lua que eles então se encantavam
Até que um dia, temos os dois
Lá no mato, Tião e Zefinha
Contando estrelas, carregando-se de saudades
Indo de passado a presente,
Num infinitivo sem fim,
Onde todos tem mesa
E, ninguém passa despercebido.
E o tempo da nascida, abrandou para eles,
Que juntos foram morar
Bem pro lado daquela alvorada
Que insistia em fazê-los  
No seu sorriso calar,
a lhes transfigurar a beleza
deles e de toda gente do lugar.
Tião e Zefinha
Formaram um novo casal
Cada qual servindo o outro
Até um dia, até um dia...
Como as nuvens que anunciam a chuva...
Como o sol que anuncia o verão...

domingo, 5 de abril de 2009

Dali



o artista viaja
o artista vaga
o artista nas ondas
surfa em seu ego
quanto maior 
mais abstrato o é
quanto mais alto
mais salvador o é

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Princípio do Prazer

descubra-se
pirata, corsário, bucaneiro
a tiro livre certeiro
descubra-se
carteiro, lixeiro, passista
beija-flor ou troglodita
descubra-se
cobra, astronauta,
alazão ou zabumbeiro
descubra-se
feliz, alegre, triste ou contente
mas, lembre-se...
atrás disso tudo,
sempre tem ...GENTE

quarta-feira, 1 de abril de 2009

navegar é preciso




singra impetuoso
sobre águas calmas
o barquinho,
como uma bolha,
sobra em orgulho
o que o mar lhe doa,
soberano





sábado, 28 de março de 2009

invasor










a meio peito
não se contradiz o dilema
sou virgem
sou Ipanema
garoja viajada
na esfera vip
olhares sem retorno
vazio de coração
a meio peito,
avista-se o sinal
e da-se continuidade
há sombra sobre o negro drama
a meio peito
quem se arrisca
se não por beleza ah!
Ah ! uma piscadela...
só pode ser novela

à margem dos sentimentos

no colo de Colombina
dormia sem bem saber
o que os olhos me diziam
se era amor ou prazer
e nesse sono intranquilo
vivi sentimentos febris
gozei de festas, martírios
lembrei que mesmo assim, 
vivi
no colo de colombina
dormí pra ter o prazer
no colo de Colombina
desperto, encontrei você

sexta-feira, 27 de março de 2009

basbaque ou o sapato do morto

Numa manhã de fevereiro, 
vinha eu e o velho Gil,
empunhando o estandarte da anarquia.
Alegres e a sorrisos.
Sem saber que no momento,
haveríamos de dar testemunho
um fato bem a contento,
lembrei-me pois de repente,
como um astro vai a farra
saindo pela tangente.
É que na imensidão de ruelas,
estreitas e mal adormecidas.
Não estávamos sós.
A contraponto dos justos,
na imagem dos sabidos...
nos aparece de fato
bem perto,
Mas não estávamos assim,
um quadro,
desses que de longe
não se enxerga,
visível a mais de metro e meio,
e estávamos longe.
Era um assalto,
um jovem bem nervoso,
com arma à mão,
retinia entre dentes, 
uma fala desesperada
“ouvíamos”
“Vamos dê-me o dinheiro,
os sapatos, relógio,
seja rápido",
e, seu interlocutor,
um oponente,
mais desatento que um nó solto,
gesticulava a fazer-se entender...
nós víamos no fato,
Um imenso corredor de atos
naquela nervosa ação,
mas também a ira,
jovem alemão puxado pela mão
acharcado em seu estado...
desesperador... desesperado
e o cara do assalto,
cada vez mais irritado
ia-lhe a lide,
encostando-lhe a arma,
exigia um dialógo, um fracasso
monológo sem consistência
a reboque da violência,
tudo isso, 
víamos de longe...
eu e o Gil,
... este um labrador
dois anos e meio
meu amigo,
deste a mudança
para aquela cidade.
É isso,
e não havia em minha vida,
outro fato igual,
que justificasse o ato
nem minha imagem periférica.
Como escrever numa folha
um caso estranho,
tão inverossímel
de uma vez,
E, foi na surpresa,
deste que agora vos narra,
que num momento,
um fininho de imediato,
que o ladrão tornou-se calmo...
E, bem menos desesperado
Num ato frio,
autêntico,
por isso insano,
atirou-lhe um certeiro tiro.
E o jovem outrora sadio,
foi ao chão, sem um gemido
como uma pedra, o alemão
Mais que afoito.,
o ladrão,
num ato ligeiro,
roubou-lhe do bolso
o dinheiro,
tirou-lhe o relógio.
E,  depressa,
correu-lhe os sapatos,
 com eles sumiu,
pela fria e estreita rua
deixando o alemão
prostado
jorrando sangue 
por aquele chão.
Basbaque estavamos, ficamos.
Juntaram-se a nós,
outros transeuntes,
outras pessoas, e,
formou-se uma roda,
uma grande roda
em torno do jovem alemão,
qual triste a ocasião.
Soube depois,
ao ler um jornal,
que o jovem viera,
para esta capital,
de turista,
e, perdera-se na cidade
sem falar o plausível,
enveredara-se pelas ruas 
com coragem.
Em sua cidade natal,
uma província, coisa e tal ...
bem fronteira daquele país, 
com outro qualquer,
não lembro da geografia,
falavam mal,
75% o alemão
pior o inglês 25%
aí me pergunto...
o que foi fazer
um jovem
Num país como o meu
Com um par de tênis
tão bonito caro e chamativo... 


... Sabia-lhe o ladrão.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Sexto sentido

Sexto sentido
Reflexo de minhas transgressões
Companheiro de meus infortúnios
Luzeiro de minhas experiências
Ver-te e não ouvir-te
Quiçá uma forma tornada real
Um cruzeiro de certeza
Que aporte o navio sem aportar o cais

carnavais...

dou-te um corpo de vantagem
e te prometo o ouro do Balthazar;
suado e aflito
o mestre-sala,
consola,
a porta-bandeira
que com sua leveza
reconhece,
perdí...
e a bico de pena,
sobre saltos
a contagem recomeça...
três, dois, um

a loira

abarrotado de café
o detetive
sonha em acabar seu caso
com a loira do hotel
essa que um sinistro
a atingiu
lhe deixando cicatrizes
visíveis e invisíveis

beleza

e anjos
tiveram próximos a mim
seus ouvidos
seguidores no bem
me fizeram ver
a natureza da vida
nos seus mínimos detalhes
sem tê-la
e eu assoberbado
pela ocasião
orei

terça-feira, 24 de março de 2009

concentricos


nesta luz que tanto te orgulha
ví um rio de água cristalina
cujo estado não é segredo,nem espelho
e por muito menos nele me ví
não sei quanto deles há
também quem o saiba precisar
não sei em que novos horizontes
ficamos com as amarras de vê-lo
e se não o vímos, não procuramos ver
por que ele não nos cobra
nem em níquel, nem em ouro
por saber que distantes deles não estamos

segunda-feira, 23 de março de 2009

dispersão


então, é só isso
tu querias de mim,
uma estrela dispersa
num fim de horizonte
tu vias em mim,
trevas por não me enxergar
então,
qual clima haveremos viver
se na solidão que cantava
tu já estava tão presente

sexta-feira, 20 de março de 2009

electra e os tambores de xangô


entre verdes veredas
à margem de transparentes águas translúcidas
sonha a possuída mente
sonha e sonhará
pelos pequeninos
e, bem acima dos devaneios
escuta, escutará então a bela
breves, tuns, tuns

quinta-feira, 19 de março de 2009

novello


dei um passo maior que pude
maior que as pernas
mas não suportei o carisma
não apaguei a luz
não olvidei silenciar meus passos
não suportei o gota a gota do teu universo em mim
e me calo perante o sol
que em sua infinita bondade
me deixa deitar com preguiça em sua luz
e nele fico adormecido com o tempo

sábado, 14 de março de 2009

revolução


pela praia
um som estelar
um ser estelar
uma canção leve
numa canção leve
tinha sua direção
tinha tomado sua direção
ao infinito
rumo ao infinito
ontem;
assim como eu
que por estas areias
ouví sussuros
que solto e tranquilo
me deixavam
e sonhei acordado
e conhecí acordado
o que não me havias dito
o que tu não me havias dito
e soube que no fim desta estrada
de verdade, tu lá não estavas

em nome da vida


um momento
uma dor
a canção partida
um pingo na criação
e este oceano de estrelas
me enche de devaneios
da solidão restrita
à cela dos povos

quinta-feira, 12 de março de 2009

solidário


de rodas para cima
sobre o trem
sobra o espaço
abaixo da rima
não o meu, nem o teu
mas o das meninas

sábado, 7 de março de 2009

arrepios


longe de tua personalidade
correm os rios
enchem-se de personagens
calam-se as matas
enfeiam-se as florestas

harmonica



em sintonia com o tempo
a sombra de uma parada
murcham os girassóis
fina flor da manhã

aflitos




como todo espaço
um lapso
sofre com o calor
e a noite
lhe supera o esquecimentto

segunda-feira, 2 de março de 2009

Com atraso

Ah Marta sobre todas as outras
Quem diz que futebol é coisa de menino
Não te conhece nem um pouquinho
Não te viu, não te vê
Não sabe quem és
Poderia alguém sorrir ao te medir
Desdenhar tua imagem
Ou mesmo te soletrar,
Há quem diga,
Só depois de tu
É que conheceu o futebol
O que escondes
Nos campos que te expõe
De tua dimensão física a silábica
Há que receber ornamentos
Tu os tens por merecer
Pois se não,
Se cada jogada é um drama
Ver o que vem de ti
É merecer a fantasia
Neste complexo que tu vives
Futebol não é carnaval
Mas se merecem,
Os dois tem rainhas

sábado, 28 de fevereiro de 2009

indivíduo


quis sair e olhar o crepúsculo
cubri a cabeça
e me afundei na escuridão
de dias
neste instante,
sou braço forte,
sou lei,
estou satisfeito
e lá vou eu
impróprio ao infinito
caminhando com o tempo
no ar bom que respiro
e que me da energia
tornado ansioso
procurei descansar
e descansava
aos olhos dos meus