sábado, 29 de outubro de 2011

Pecado virtual

Porque não dizer, uma interjeição
e vingou num sorriso simpático
numa relação entre amigos
muito embora nada que interferisse
em nós e nos amigos de hoje
conhecidos de hoje, amigos de agora
muitos, ausentes de atenção
outros, interferência entre mesas
sem idade, sem a incapacidade da reflexão belicosa
até quando...
barulho de copos, inaudíveis palavras
sussuros da intimidade, da música, da memória
a vida é bela e se move em extemporaneidade
com a coragem dos inocentes
com a firmeza dos amantes e na segurança do belo
tudo é atenção na distância que entre nós se pronuncia
tão de perto e tão afastada que o rumo se torna eminente
e a vida que nos dá uma nova chance, nos rouba
sem devolver este tão belo desenho
e assim, seremos nós outra vez
indivíduos

sábado, 22 de outubro de 2011

Vidros

Penso nela
como uma janela
aberta ao horizonte
uma pessoa singular
e eu sendo só o seu plural
quanta pretenção
no discorrer dos fatos
nem sei se sou
sem homem, seu amante ou seu irmão

terça-feira, 18 de outubro de 2011

etecetera

De braços cruzados
como um mestre a ler no horizonte
palavras fúteis de um aprendiz nervoso
pernas ao alto como um déspota vivido
sentado em cadeira rústica
mal consigo dar bom dia
tamanho é o fogo numa manhã de trabalho
excitado pelo destino, congruência a parte
cavalgo no horário agradecido que sou
ao novo rumo que encaminho a vida
embora com medo este que me faz novo
a resistência é meu futuro
e sigo adiante de todos
como um plano tácito
como um programa emergente
grandioso e cheio de astúcia infantil
Aonde o Éden exista

ainda ontem houvesse quem
ainda ontem houvesse vida aquém
ainda ontem houvesse alguém
ainda ontem o Éden fosse aqui
paremos pois ainda ontem paramos
paremos pois ainda ontem outro alguém parado a ficar
paremos ainda que ontem de ordem parados ficamos a olhar
paremos ainda que houvesse o Éden embora não o achemos
paremos ainda que ontem achamos que outro alguém o ache e seja
paremos ainda que nem aqui, nem lá ou aonde exista o Éden
não somos e nem seremos o futuro daqui ou de qualquer um outro lugar exceto o Éden
paremos que ontem não agradamos nem agradaremos alguém nem aqui nem em qualquer lugar
paremos pois,
não agradamos
muito embora
o Éden seja mais embaixo
e lá já esteja alagado

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

sensitivo

nosso amor intransitivo
preso a suas ações
como um gatilho
a mercê de suas inflexões
não dá pra desmembrar
e sem puder racionar
fico a mercê de considerações
extra confusões,
transitivas ligações
que alimenta por teu lado
todo a força com que carregas
do sublime que habitas
em nossos corações

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O homem de um braço só

O operário/o homem operado
jazia sobre o asfalto,
jazia operado o operário/o homem
prostado em seu último leito o asfalto
um imperador, um guerreiro, um soldado
jazia o homem jazia o operado
de sua perna uma bolsa presa esborrava urina
mostrava-se indecente naquela esquina
um sol de amônia iludia a multidão
não era um enterro não era um velório
um homem morto jazia visível ao chão

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Bailarina

Tão leve e absoluta reina em maestria nos altos
como um coração forte absorve seus saltos ao chão
rodopios elípticos e estéticos revelam a perfeição
o estudo anunciado encobre a oração atendida
no tempo e na evolução do momento
a descoberta na leitura do jogo da vida
o repouso é ação, é sucesso e frustação
em corpo pequeno voa e leva a moça leve em seu reino
descansa em braços fortes, em mãos fortes,
onde todo encantado tem hora para acabar