segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tião e Zefinha



Tião negro simpático
reservado,
não contava farol
não ria alto
estava a sorrir, sim
mas, discreto 
em suas entrelinhas;
Gostava, dizia: era do amor e do mar
Alias perguntando respondia,
"Quero um dia no meio do mar"
Ríamos
mas, tinha o Tião
Coragem de ter e tinha
Tinha também o amar,[
Plantado no chão,
Cuidava de sua montaria,
com o que sobrevivia
E, sonhava com o prazer
De ver a Zefinha passar;
Pesadelo cabo-verde
Que ousava gostar
Tratava-a muito bem, à corte
Especialmente nas noites Veridianas,
Onde a saia... rodava solta
Onde os tamancos se davam bem,
Havia o gosto até de ver
Nestas noites na casa da Veridiana 
Bem lá, onde as noites se davam
Onde as rodas moldavam o chão
Com a hora iniciada,
Com a cadência marcada
Noite à dentro de verão.
Tião, na coragem era dono de si
E de Veridiana em Veridiana
A corte transformou-se
E Zefinha saia-lhe bem;
Com o tempo de festa
E destes olhos para além.
A esperança era o desejo,
E o desejo a corrida,
Na corrida o transe, a transa
Assim pois, quem já vira
Caíram-lhes dias.
Veridiana que ao casal aproximara
E, da lua que eles então se encantavam
Até que um dia, temos os dois
Lá no mato, Tião e Zefinha
Contando estrelas, carregando-se de saudades
Indo de passado a presente,
Num infinitivo sem fim,
Onde todos tem mesa
E, ninguém passa despercebido.
E o tempo da nascida, abrandou para eles,
Que juntos foram morar
Bem pro lado daquela alvorada
Que insistia em fazê-los  
No seu sorriso calar,
a lhes transfigurar a beleza
deles e de toda gente do lugar.
Tião e Zefinha
Formaram um novo casal
Cada qual servindo o outro
Até um dia, até um dia...
Como as nuvens que anunciam a chuva...
Como o sol que anuncia o verão...