Carlos e a palavra amiga
Estive com Carlos quando doente estava, operara o joelho para reparar uns tais meniscos, assim havia optado por não poder mais andar, o importante é poder caminhar, Carlos não era mais uma criança optara por restabelecer seu jeito de andar, assimilava a idéia de que viver é tecnicamente correto quando na base da integridade está a saúde, havia se convencido que mais dia menos dias teria que abrir na sua perna aquela cicatriz, se quisesse feliz ficar, Carlos não aguentava-lhe mais a perna e inconformado reduzira suas idas a fisioterapia, embora doente se imaginava mais jovem, bem o era, mas, só no psicológico, porque com a idade seus cabelos e seu peso logo o denunciava, já não conseguia enganar seus netos, que costumeiramente lhe puxava as orelhas, com seu joguinho particular de colheita - o futebol; jogador clássico, Carlos fora o tipo que entre novas e velhas amizade qualquer um lhe queria em seu time, isso ficava claro depois de jogar contra ele, sujeito ao simples, muitas vezes Carlos emprestara sua alma ao futebol, levando consigo uma multidão de amigos, amigos resistentes a perdas e a vitórias. Carlos sabia que sairia desta vitorioso, como foi. A operação lhe fora um sucesso e estabilizado pode sair tranquilo daquela unidade hospitalar, onde na porta já havia um automóvel do complexo pronto para levar ele para sua residência. Ao chegar ao carro voltou a cabeça e esboçou um sorriso irônico e na tentativa de dar adeus levou a mão ao peito e foi-se com seus 17 novos amigos operados, para casa onde o todos seus familiares o esperava felizes. Carlos viveu muitos anos.