sobre a crise, Lisboa, desafios
ou uma foto, por gosto, tristeza ou alegria
(Lisboa, segunda-feira, 9 de janeiro de 2012)
uma cultura viva
reticente pelo obturador
vi-me em névoas
pelo vento frio trazida
distinta como seu ouro pálido
esforçando-me neste aveiro
a ver em ti meu espelho, ou era tu que me via,
não morta
mas, como uma lousa fria
embora, tu a espia
como quem vê verdadeiro,
cobri-me de fatos em fotos
e neste caso duplo foco
em que estou, estivesse
na rua do ouro ou acima
bem onde o estado declina
o fraco sol a brilhar,
um pobre na foto reclina,
suportando o frio sem luzeiro,
e perto, bem perto
tão bem pintado em vermelho
um guarda-caixa dinheiro,
jaz-lhe no frio a desfecho
porto do trem a esquivar
e fui-me dali, dias e dias e horas
com falso medo e alegria
a me esquecer no ribeiro
bem perto à margem
no outeiro
como bem agora padeço
pois nesta foto vivi
e por agora nela mo reconheço