quando o mais é menos
um gole, um pedaço, uma réstia
satisfaz
quando o mais é menos
um amigo, um peixe, uma flauta
atraí
quando o mais é menos
um calafrio, um gemido, uma perda
é malogro
quando o mais é menos
a aventura, o arbítrio, um desenlace
é fato
então não te queixes
a tempos que nossa ventura
tem sido fonte do nosso destino
sede generosa ao esquecer-me
e não
pelo que não te escrevo
sede generosa ao esquecer-me
e não
pelo que não te falo
sede generosa ao esquecer-me
e não
pelo nada, em troca do nada
sede generosa ao esquecer-me
e não
pelo vazio, em troca do vazio
pois sei, sabemos, sabes
que o nada é recordação e coragem
que o vazio é satisfação e castigo
então aceites de mim, o que te escrevo
e como te escrevo,
e até quando esqueço de te escrever
porém, saibas que te escrevo
por amizade e por desafio à nossa amizade
e que este desafio
caminhe pelo tempo
no afã de buscar o progresso
e que no fim de tudo
permaneça em nós
e seja eterno em sua duração
como o fio que nos conduz a aproximação
como uma vida que nos conduz a amizade
como uma luz que nos conduza
ao fim do começo que se inicia